Microbiota sob pressão: como o exposoma promove doenças crónicas

O nosso ambiente influencia profundamente a nossa saúde… ao agir sobre a nossa microbiota. Desreguladores endócrinos, microplásticos, medicamentos e alimentos ultraprocessados são todos componentes do expossoma que enfraquecem o nosso ecossistema intestinal e favorecem o desenvolvimento de doenças crônicas.

A microbiota intestinal A microbiota da pele A microbiota pulmonar Saúde mental Asma e microbiota Cancro do estômago A síndrome do intestino irritável (SII)
Exposure to air pollution disturbs the microbiota of babies

Perturbações psiquiátricas

Vários estudos indicam que a exposição da microbiota intestinal aos fatores ambientais tem consequências para a saúde mental:

Além disso, um desequilíbrio na microbiota pode expor o cérebro a perturbações por via do eixo intestino-cérebro. Por exemplo, a disbiose intestinal pode ser responsável por um primeiro episódio psicótico. 

Eixo intestino-cérebro: Qual é o papel da microbiota?

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Asma e doenças alérgicas

O número de pessoas afetadas por doenças alérgicas continua a aumentar em todo o mundo. E este aumento das alergias pode muito bem ter as suas origens no exposoma.

Cada vez mais estudos sugerem que a exposição a substâncias ambientais (poluição atmosférica, detergentes, microplásticos, nanopartículas, alimentos transformados, emulsionantes, etc.), bem como a diminuição da biodiversidade e a degradação do ambiente, são responsáveis por alterações que propiciam estas doenças imunitárias:

1 pessoa em cada 4 Este é o número de europeus que sofrem de alergias.

50 % dos habitantes dos países industrializados sofrerão de alergias em 2050.

10 a 30 % da população mundial sofre de pelo menos uma doença alérgica.

A nível intestinal, foi demonstrado que certos fatores de exposição provocam lesões nas barreiras epiteliais, resultando em disbiose e num aumento da permeabilidade. Será isto o que estará na origem de uma perda dos efeitos “imunomoduladores” (protetores contra as alergias) das bactérias da microbiota 7

Microbiota desequilibrada com 1 ano, alergia aos 5 anos?

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Cancros e doenças intestinais

São cada vez mais os cancros que surgem em jovens e o cancro do intestino é um deles. Nas últimas três décadas, este aumentou cerca de 50% entre as pessoas dos 25 aos 49 anos nos Estados Unidos, Canadá, Austrália e em vários países europeus. 

2,4 vezes maior É esta a magnitude do risco de cancro do cólon para as pessoas nascidas em 1990 em comparação com as nascidas em 1950.24

30 % É a percentagem dos alimentos ultraprocessados na ingestão diária de calorias dos franceses (até 60% para os britânicos e americanos). ,

Diversos fatores ambientais

Se a ausência de fibras, o consumo de carnes vermelhas e de alimentos transformados e a exposição a poluentes são apontados como culpados, suspeita-se também de um conjunto de outros fatores ambientais: alimentos, bebidas, medicamentos, poluentes atmosféricos, produtos químicos, etc., cujos efeitos individuais nas nossas células e nas nossas microbiotas estão a começar a ser compreendidos 10

O mesmo sucede com doenças inflamatórias crónicas do intestino (DICI), cuja maior incidência se verifica nos países mais industrializados, como o noroeste da Europa e os Estados Unidos, e que se torna mais frequente à medida que aumenta o desenvolvimento socioeconómico. 

Embora as causas das DICI permaneçam mal identificadas, sabe-se que a disbiose terá um papel importante 11.   

Segundo uma equipa de investigadores franceses, há cada vez mais provas de que os alimentos ultraprocessados (UPF), em particular os aditivos alimentares, estão ligados às DICI, ao cancro colorretal e à síndrome do cólon irritável. Nomeadamente, sabe-se que os emulsionantes, os edulcorantes, os corantes, os microplásticos e as nanopartículas têm repercussões na microbiota intestinal, na permeabilidade intestinal e na inflamação intestinal, o que pode influir significativamente no risco de doenças intestinais 30

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Do nascimento à morte, um exposoma com consequências diferentes para a nossa saúde

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O exposoma explicado pelo nosso especialista

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Referências

1. Kimmel MC, Verosky B, Chen HJ, et al. The Maternal Microbiome as a Map to Understanding the Impact of Prenatal Stress on Offspring Psychiatric Health. Biol Psychiatry. 2024 Feb 15;95(4):300-309.

2. Madison AA, Bailey MT. Stressed to the Core: Inflammation and Intestinal Permeability Link Stress-Related Gut Microbiota Shifts to Mental Health Outcomes. Biol Psychiatry. 2024 Feb 15;95(4):339-347. 

3. Ross FC, Mayer DE, Gupta A, et al. Existing and Future Strategies to Manipulate the Gut Microbiota With Diet as a Potential Adjuvant Treatment for Psychiatric Disorders. Biol Psychiatry. 2024 Feb 15;95(4):348-360.

4. Fond G. Bien manger pour ne plus déprimer, Odile Jacob, 2022.

5. Institut Pasteur, Tackling allergies, avril 2018

6. Shin YH, Hwang J, Kwon R, et al. Global, regional, and national burden of allergic disorders and their risk factors in 204 countries and territories, from 1990 to 2019: A systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2019. Allergy. 2023 Aug;78(8):2232-2254.

7. Losol P, Sokolowska M, Hwang YK, et al. Epithelial Barrier Theory: The Role of Exposome, Microbiome, and Barrier Function in Allergic Diseases. Allergy Asthma Immunol Res. 2023 Nov;15(6):705-724.

8. PROSPECT Study

9. Salomé M, Arrazat L, Wang J, et al. Contrary to ultra-processed foods, the consumption of unprocessed or minimally processed foods is associated with favorable patterns of protein intake, diet quality and lower cardiometabolic risk in French adults (INCA3). Eur J Nutr. 2021

10. Inrae, juin 2022.

11. Inserm

12. Whelan K, Bancil AS, Lindsay JO, Chassaing B. Ultra-processed foods and food additives in gut health and disease. Nat Rev Gastroenterol Hepatol. 2024 Jun;21(6):406-427.

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Microbiota e exposoma: um diálogo no seio da nossa saúde

Tudo o que comemos, respiramos ou aplicamos no nosso corpo entra em contacto com as nossas microbiotas, o que exerce um impacto significativo na nossa saúde. 

A microbiota intestinal A microbiota vaginal A microbiota pulmonar A microbiota da pele A microbiota ORL

O problema é que há muitos fatores do exposoma externo (dietas pobres em fibras ou ricas em gorduras, emulsionantes, metais pesados, ftalatos, microplásticos, partículas finas no ar, pesticidas, poluentes ambientais, stress, etc.) que podem perturbar o equilíbrio do nosso microbiota e provocar disbiose.

Sabe-se que esta se encontra ligada a numerosas doenças crónicas: obesidade, diabetes de tipo 2, asma, doença inflamatória crónica do intestino, doenças autoimunes, depressão, perturbações do desenvolvimento cerebral 1, etc. 

Declínio da biodiversidade = microbiotas e saúde em risco

Trata-se de uma verdadeira bomba-relógio, confirmada pelo grupo internacional de peritos IPBES : a nível mundial, a biodiversidade está “a diminuir mais rapidamente do que em qualquer outro momento da história da humanidade” 3 . Este colapso resulta do aquecimento global, da excessiva exploração dos solos... e da poluição. 

E isso é um problema para a nossa microbiota, porque menos espécies animais e vegetais significa também menos diversidade microbiana nos ecossistemas e, por conseguinte, maior alteração dos circuitos imunomoduladores mediados pela microbiota e mais alergias e doenças autoimunes. 

Microbiota: uma rede bem conectada que influencia a saúde

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Segundo a World Allergy Organization, “a perda de biodiversidade provoca uma redução da interação entre a microbiota ambiental e a humana, o que pode originar disfunções imunitárias e alterações nos mecanismos de tolerância” 5

Ora, sabe-se desde 2005 que, pelo contrário, os ambientes ricos em micróbios (vida no campo, contacto estreito com a natureza, etc.) estão associados a uma proteção contra as doenças imunitárias. 

Efeitos benéficos do exposoma

É frequente associar “fatores ambientais” a “riscos para a saúde”. Não nos devemos esquecer, no entanto, de que parte do exposoma é benéfica para o nosso organismo. De acordo com uma equipa de investigadores americanos e alemães, a exposição à luz do dia, aos espaços verdes, à biodiversidade, à atividade física, ao apoio social e emocional e a uma dieta mediterrânica são fatores comprovados de resistência ao stress, de equilíbrio imunitário e de boa sincronia circadiana (relógio interno) 6.  

O exposoma fúngico, regulador da resposta imunitária

A microbiota, tanto intestinal como vaginal, pulmonar ou cutânea, é composta não só por bactérias, mas também por vírus, arqueias... e fungos. Estes últimos constituem a “micobiota”, essencial para o equilíbrio e estabilidade da microbiota humana. Vários estudos realizados em bebés revelaram que a composição fúngica da microbiota está em correlação com o risco de desenvolvimento de doenças alérgicas. 

Explosão da alergia ao amendoim: a culpa será do clima?

Nos Estados Unidos, a alergia ao amendoim nas crianças aumentou 21% entre 2010 e 2017 7.  

A culpa será das alterações climáticas? É bem possível que assim seja, se acreditarmos vários estudos que revelam que ao aumento do CO2 e da temperatura estão associadas alterações fisiológicas nas plantas do amendoim. Estas produziriam sementes com um perfil antigénico diferente, mais suscetível de provocar alergias 8 .   

Sabe-se agora que a micobiota depende em grande parte do exposoma fúngico. A análise dos taxa mostra que os fungos mais frequentemente encontrados nos intestinos, na boca, nos pulmões e na pele são os mesmos que se podem encontrar no ambiente, quer interior (paredes, mobiliário, ar interior, etc.) quer exterior (alimentos, água, solo, etc.) 9 .   

A omnipresença de fungos no ambiente poderá, portanto, estar na origem de um contacto constante com o organismo, modulando a resposta imunitária nos seres humanos.

Rinite e asma: e se os fungos do nariz tivessem um papel a desempenhar?

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Medicamentos, exposoma e microbiota: um equilíbrio delicado 

Os medicamentos, enquanto parte do nosso exposoma, interagem de forma complexa com a microbiota intestinal, influenciando tanto a sua composição como as suas funções. 

Vejamos o exemplo de certos tratamentos correntes, como os inibidores da bomba de protões (IBP), utilizados para tratar o refluxo gástrico. Os IBPs alteram o ambiente ácido do estômago, permitindo que as bactérias orais cheguem ao intestino. Isso pode influenciar o ecossistema microbiano, incentivando a proliferação de determinadas estirpes. Essas alterações, que estão associadas a riscos acrescidos de infeções como a do Clostridium difficile, são controláveis através de uma utilização adequada (evitando, sempre que possível, tratamentos de longa duração) e do acompanhamento médico 20 .  

A microbiota não funciona como mero espetador: desempenha um papel ativo na transformação dos medicamentos.

Por exemplo, as bactérias intestinais podem aumentar a eficácia da metformina, um tratamento antidiabético, ao estimularem a produção de (sidenote: Ácidos Gordos de Cadeia Curta (AGCC) Os Ácidos Gordos de Cadeia Curta são uma fonte de energia (carburante) das células do indivíduo, interagem com o sistema imunitário e estão envolvidos na comunicação entre o intestino e o cérebro. Silva YP, Bernardi A, Frozza RL. The Role of Short-Chain Fatty Acids From Gut Microbiota in Gut-Brain Communication. Front Endocrinol (Lausanne). 2020;11:25. ) (AGCC) benéficos para a saúde.

Inversamente, em alguns casos raros, a microbiota pode transformar moléculas ativas em compostos tóxicos, como no caso da brivudina, um antiviral anti zóster atualmente proibido, que pode ser convertido pelos microrganismos intestinais em bromoviniluracilo, tóxico para o fígado.

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These interactions highlight the importance of better understanding the relationships between drugs,  microbiota, and exposome. By taking these mechanisms into account, we can optimize treatments and develop therapeutic strategies that respect and support the fragile balance of our gut ecosystem.

Essas interações realçam a importância de se compreender melhor as relações entre os medicamentos, a microbiota e o exposoma. Ao serem tidos em conta estes mecanismos, é possível otimizar os tratamentos e desenvolver estratégias terapêuticas que respeitem e promovam o frágil equilíbrio do nosso ecossistema intestinal.

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Referências

1. Lionel Cavicchioli. Un organe sensible aux pollutions, Le Figaro Santé, avril-mai-juin 2024.

2. Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services (IPBES)

3. IPBES. Nature’s Dangerous Decline ‘Unprecedented’; Species Extinction Rates ‘Accelerating’. Press Release, 6 May 2019.

4. Ray C, Ming X. Climate Change and Human Health: A Review of Allergies, Autoimmunity and the Microbiome. Int J Environ Res Public Health. 2020 Jul 4;17(13):4814.

5. Haahtela T, Holgate S, Pawankar R, et al. WAO Special Committee on Climate Change and Biodiversity. The biodiversity hypothesis and allergic disease: world allergy organization position statement. World Allergy Organ J. 2013 Jan 31;6(1):3.

6. Hahad O, Al-Kindi S, Lelieveld J, et al. Supporting and implementing the beneficial parts of the exposome: The environment can be the problem, but it can also be the solution. Int J Hyg Environ Health. 2024 Jan;255:114290.

7. Gupta, R., Warren C., Blumenstock J. et al. OR078 The prevalence of childhood food allergy in the United States: an update. Annals of Allergy, Asthma & Immunology, Volume 119, Issue 5, S11, November 2017.

8. Beggs, P.J., Walczyk, N.E. Impacts of climate change on plant food allergens: a previously unrecognized threat to human health. Air Qual Atmos Health 1, 119–123 (2008).

9. Vitte J, Michel M, Malinovschi A, et al. Fungal exposome, human health, and unmet needs: A 2022 update with special focus on allergy. Allergy. 2022 Nov;77(11):3199-3216.

10. Weersma RK, Zhernakova A, Fu J. Interaction between drugs and the gut microbiome. Gut. 2020 Aug;69(8):1510-1519.

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Exposoma: microbiota exposta, saúde em risco

Já repararam que algumas pessoas parecem adoecer com mais frequência do que outras? Por trás dessa aparente desigualdade, há um conceito que é tão holístico quanto revolucionário: o exposoma. Trata-se do conjunto de fatores ambientais a que estamos expostos ao longo das nossas vidas e que influencia a nossa saúde de uma forma bastante mais profunda do que pensamos. E a microbiota pode também desempenhar um papel fulcral. Explicações.  

A microbiota intestinal A microbiota da pele A microbiota vaginal A microbiota pulmonar

Os alimentos que ingerimos, a água que bebemos, o ar que respiramos, mas também o local onde vivemos, o nosso ambiente de trabalho... Em que medida os fatores a que estamos expostos desde o nascimento até à morte podem ser determinantes na progressão inexorável das doenças crónicas? Esta pergunta é uma verdadeira "armadilha" colocada à comunidade científica. 

350 000 Este é o número das diferentes substâncias químicas sintéticas artificiais atualmente em circulação no mundo.

9 millions É o número de pessoas que morrem prematuramente todos os anos devido aos efeitos acumulados das exposições ambientais (12,6 milhões de acordo com a OMS ).

24 % É a percentagem de óbitos no mundo devidos a fatores ambientais (28% da mortalidade nas crianças com menos de 5 anos).

De facto, e muito embora os cientistas tentem há muitos anos avaliar o impacto de cada um destes fatores na saúde, temos de reconhecer que ainda se sabe muito pouco sobre as perturbações fisiológicas que provocam quando são combinados e se vão acumulando ao longo dos anos.

Há alguns que atuam em sinergia (o que é conhecido por “efeito de cocktail”), outros que se compensam mutuamente e outros ainda que têm um impacto numa fase da vida, mas não noutra, ou que simplesmente vão variando as consequências em função do tempo de exposição 5.  

Natureza e microbiota: quais os efeitos para a sua saúde?

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Exposoma: uma abordagem holística da saúde

Urbanização, stress, alterações climáticas, alimentação moderna, produtos tóxicos... Em 2005, motivado pela necessidade de compreender melhor a exposição, muitas vezes complexa, a esta multiplicidade de fatores ambientais, o epidemiologista britânico Christopher P. Wild (atualmente diretor do IARC, a Agência Internacional de Investigação do Cancro) propôs o conceito de “exposoma”. Define-o como: “a totalidade das exposições a que uma pessoa é sujeita desde a conceção até a morte”. 

Segundo ele, o exposoma é “uma representação complexa e dinâmica das exposições a que a pessoa está sujeita ao longo da sua vida, integrando os ambientes químico, microbiológico, físico, recreativo e medicamentoso, o estilo de vida, a alimentação e as infeções. " 

O genoma e o exposoma são complementares

Cuidado com atalhos, e com o facilitismo! que opõem o genoma e o exposoma. Pelo contrário, eles completam-se. O exposoma, que evoca o conceito de genoma, reúne todos os fatores não genéticos que influenciam a nossa saúde. Vem complementar a abordagem centrada no genoma, que, ao limitar-se aos genes e aos cromossomas, oferece apenas uma compreensão parcial do aparecimento das doenças.

Para Christopher P. Wild, as doenças crónicas podem ser explicadas pelas interações entre os nossos genes e o ambiente, donde a necessidade de ferramentas metodológicas para se desenvolver e melhorar as ciências da exposição, que ainda não são suficientemente tidas em conta. 

Respirar, lavar-se, vestir-se, comer, trabalhar, ir para a cama não são, portanto, ações assim tão inócuas.  Elas expõem-nos a fontes de micropartículas, substâncias químicas, poluentes, metais pesados, stress, ruído, radiações, etc., que são potencialmente nocivas para o nosso organismo e para a nossa microbiota.

Do exposoma ao conceito “One Health”: atuar de forma global

Não é segredo para ninguém que a nossa saúde está intimamente ligada à dos animais, plantas e microrganismos que vivem na Terra. 

Todos pertencemos ao mesmo ecossistema, e as interações entre os seres humanos, a vida selvagem e o seu ambiente condicionam a nossa saúde coletiva. Estamos todos expostos aos mesmos contaminantes, de facto, sejam eles poluentes químicos, agentes patogénicos ou consequências das alterações climáticas.


Por conseguinte, o conceito de exposoma enquadra-se naturalmente numa abordagem global como a de “One Health”. Esta iniciativa, reconhecida pela OMS, pela FAO e pela OIE (Organização Mundial da Saúde Animal), põe em evidência a interdependência entre a saúde humana, a saúde animal e a saúde ambiental. 

Uma melhor compreensão do exposoma, ou seja, das exposições a que estamos sujeitos ao longo da nossa vida, é, por conseguinte, essencial para podermos reduzir o risco de doenças e adotar comportamentos corretos na nossa vida quotidiana. E a microbiota no meio disto tudo? 

Microbiota e exposoma: um diálogo no seio da nossa saúde  

E se a nossa saúde dependesse do diálogo entre o nosso ambiente e os bilhões de microrganismos que habitam o nosso corpo? Poluentes, alimentação, estresse, natureza... o expossoma interage constantemente com a nossa microbiota e pode influenciar seu equilíbrio frágil. Um elo pouco conhecido, mas central, especialmente na prevenção de doenças crônicas. O impacto da natureza sobre a nossa microbiota, e o da urbanização, é uma prova disso.


Descubra como essa troca silenciosa molda a nossa saúde.
 

Microbiota e exposoma: um diálogo no seio da nossa saúde 

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Microbiota sob pressão: como o exposoma promove as doenças crónicas

O nosso ambiente tem uma influência profunda sobre a nossa saúde... ao afetar a nossa microbiota. Desreguladores endócrinos, microplásticos, medicamentos, alimentos ultraprocessados: todos esses elementos fazem parte do expossoma e contribuem para fragilizar o ecossistema intestinal, favorecendo o surgimento de doenças crônicas. A ciência começa a revelar como esses distúrbios podem levar à obesidade, depressão, doenças inflamatórias intestinais (DII) e alergias. Entre os exemplos mais recentes: o expossoma fúngico e a resistência bacteriana.


Explore as conexões entre meio ambiente, disbiose e doenças modernas.
 

Microbiota sob pressão: como o exposoma promove as doenças crónicas

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Do nascimento à morte, um exposoma com consequências diferentes para a nossa saúde

Do nascimento à morte, um expossoma com diferentes impactos sobre a nossa saúde. A nossa sensibilidade ao ambiente evolui com a idade. Desde a gestação, o expossoma modula a imunidade, molda a microbiota do bebê e influencia o risco futuro de asma ou alergias. Na adolescência, ele afeta a saúde mental e da pele. Na idade adulta, determina o nível de inflamação e o bem-estar geral. Já nos idosos, pode tanto preservar quanto comprometer a longevidade, como mostra o estudo sobre a microbiota de centenários.


Descubra como cada etapa da vida interage com o expossoma.

Do nascimento à morte, um exposoma com consequências diferentes para a nossa saúde

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Rumo a um exposoma mais favorável 

Talvez não tenhamos controle sobre tudo, mas podemos agir! Um expossoma benéfico é possível: uma alimentação rica em fibras, atividade física, contato com a natureza, higiene suave, redução dos desreguladores... são ações simples que ajudam a proteger a nossa microbiota e prevenir doenças. A dieta mediterrânea e um ambiente rico em microrganismos são provas vivas disso.

23 % Esta é a percentagem de redução da mortalidade nas mulheres cuja alimentação mais se aproxima da dieta mediterrânica, em comparação com as que mais se afastam dela.

25 % É a percentagem de redução do risco de cancro entre as pessoas que seguem uma dieta biológica (-34% para o risco de cancro da mama).

Descubra maneiras concretas de cultivar um ambiente saudável.

Rumo a um exposoma mais favorável

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As microbiotas são sentinelas do nosso ambiente. Interfaces vivas entre o nosso corpo e o mundo exterior, as microbiotas refletem fielmente o ambiente em que vivemos. Compreender o expossoma é identificar os mecanismos que nos permitem viver melhor, envelhecer com mais saúde e prevenir as doenças do futuro. A abordagem expossômica lança uma nova luz sobre a nossa relação com a saúde pública, a ecologia e os comportamentos do dia a dia.

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O Índice de HACK: identificar as espécies-chave do intestino para obter melhores resultados para os pacientes

A definição de um microbioma intestinal saudável é um desafio devido à variabilidade individual. O Índice de HACK classifica 201 bactérias intestinais por prevalência, estabilidade e ligações a doenças, proporcionando aos médicos uma ferramenta robusta e reprodutível para avaliar e otimizar a saúde intestinal. Este artigo integra um esforço mais amplo para definir o microbioma intestinal humano e apoiar os profissionais de saúde com ferramentas práticas e baseadas em dados.

Se está a ler este artigo, provavelmente sabe que o microbioma é fundamental para a saúde em muitos sistemas, desde o metabolismo à imunidade e até à cognição. Mas definir o que é um intestino verdadeiramente "saudável" - que não esteja apenas presente, mas resiliente e ligado ao bem-estar - tem sido um enorme desafio, dada a sua incrível variabilidade entre pessoas e lugares.

Um novo estudo publicado na Cell Reports 1 apresenta uma nova perspectiva com o Índice de Hack - A espécie-chave associada à saúde (Health-Associated Core Keystone, HACK). Não se trata apenas de mais uma lista de micróbios: é uma classificação única e sólida de 201 espécies-chave de bactérias intestinais com base na sua associação consistente com aspetos cruciais da saúde do hospedeiro e do microbioma.

Descodificar o Índice de HACK: O que faz uma espécie-chave?

Os investigadores construíram esta nova classificação utilizando um conjunto de dados impressionante com mais de 45 000 microbiomas intestinais de 141 coortes de estudo em 42 países e abrangendo 28 categorias de doenças diferentes. Classificaram 201 taxa intestinais comuns e micróbios, classificando-os em três propriedades críticas:

  1. Associação principal: mostra a prevalência e a consistência associadas à composição da comunidade de um táxon em indivíduos não doentes. Esta avaliação foi feita utilizando uma nova abordagem "Remover-Renormalizar-Relacionar (3R)" em mais de 18 000 amostras não doentes.
     
  2. Estabilidade longitudinal: determina o quanto a abundância de um táxon está associada a uma menor alteração do microbioma ao longo do tempo nos indivíduos. Este estudo utilizou dados de mais de 9000 amostras longitudinais.
     
  3. Associação de saúde: a consistência com a qual um táxon é negativamente associado à doença em várias categorias. Isto envolveu a análise de mais de 18 000 amostras de coortes de controlo de doenças que abrangem 28 patologias.

Estas três pontuações foram combinadas no Índice de HACK final para cada táxon. A análise confirmou a robustez deste índice em todas as técnicas de sequenciação e estilos de vida. A classificação de HACK manteve-se coerente independentemente da tecnologia de sequenciação utilizada (WGS versus 16S) e entre populações industrializadas e não industrializadas, tendo sido validada em 14 coortes independentes. Esta robustez sugere que o índice capta algo fundamentalmente ligado à saúde, transcendendo diferenças geográficas e técnicas.

Nem todos os membros do núcleo são iguais

O estudo revelou várias descobertas surpreendentes que desafiam os pressupostos comuns na investigação do microbioma.

Talvez o mais surpreendente seja a descoberta de que alguns taxa consistentemente identificados como associados ao núcleo - ou seja, prevalentes e estreitamente ligados à comunidade em intestinos não doentes - também estavam previamente ligados a múltiplas doenças. A análise baseada em tabelas revelou que o Collinsella aerofaciens é um desses exemplos. Esta descoberta vem ressaltar que o simples facto de ser um residente comum não garante um benefício para a saúde e reforça a importância de combinar a associação da comunidade com a estabilidade da abundância e a associação de doenças - como faz o (sidenote: Índice de HACK Classificação composta de 201 espécies de bactérias intestinais com base na prevalência/associação comunitária, estabilidade e associações de doenças. ) .

Clinical resource spotlight: International Microbiota Observatory

A microbiota intestinal de HACK não é a única ferramenta centrada em dados que ajuda a enriquecer o conhecimento da microbiota intestinal.

O Observatório Internacional da Microbiota fornece dados globais de mais de 30 países, acompanhando a evolução do microbioma intestinal humano em populações e estados de doenças.

Os médicos podem utilizar este recurso juntamente com o Índice de HACK para contextualizar a análise do microbioma dos doentes em diversas regiões.

Da dieta à terapêutaic

Então, o que isto significa para a prática clínica? O Índice de HACK constitui uma nova e poderosa ferramenta.

O estudo mostrou que uma pontuação simples derivada da abundância média classificada dos primeiros 17 táxons de HACK (HACK-top-17-score) teve um desempenho comparável ou melhor do que os índices de saúde de microbiota/microbioma existentes na distinção entre estados de doentes e não doentes, bem como microbiomas estáveis e instáveis. 

Além disso, a análise mostrou que foi observada uma correlação positiva significativa entre o Índice de HACK de um táxon e sua associação com uma resposta positiva à terapia com inibidor do ponto de verificação imunológico (ICT). Isto sugere que o Índice de HACK pode potencialmente ajudar a identificar os micróbios intestinais mais suscetíveis de apoiar o sucesso terapêutico em oncologia e para além.

Além disso, o índice também relaciona os padrões microbianos à dieta. As pontuações mais elevadas de HACK correlacionaram-se com micróbios mais reativos a intervenções alimentares de estilo mediterrânico, indicando um potencial terapêutico baseado na dieta.

A dieta não é apenas um fator modificável, mas também uma lente de diagnóstico para compreender a resposta do microbioma a padrões alimentares específicos.

Dieta mediterrânica verde: que ligações entre a saúde cardiometabólica e a microbiota intestinal?

Saiba mais

Este artigo lança uma nova luz sobre a intrincada interação entre a microbiota humana e a saúde. O Índice de HACK marca um passo significativo para uma definição funcional e clinicamente aplicável de um intestino saudável. E embora seja necessário realizar mais trabalhos, especialmente na análise ao nível da estirpe, esta estrutura de análise robusta e reprodutível já abre novos caminhos para ferramentas de diagnóstico e alvos terapêuticos - especialmente quando integrada com padrões alimentares humanos e respostas a intervenções médicas.

A análise de tais ferramentas e índices através de dados do microbioma em grande escala e tabelas de aplicações clínicas é agora essencial para o avanço da medicina personalizada. À medida que a investigação sobre o intestino evolui, ferramentas como o Índice de HACK podem orientar intervenções baseadas não apenas na presença microbiana, mas também na estabilidade funcional - de estratégias baseadas na alimentação a tratamentos baseados no sistema imunitário.

Caixa de ferramentas profissional: explorar mais recursos clínicos

Precisa de apoio para aplicar estes conceitos na prática? O Biocodex Microbiota Institute oferece uma caixa de ferramentas dedicada aos profissionais com visões gerais acessíveis, vídeos, infografias e ferramentas de diagnóstico. Todos os conteúdos educativos possuem base científica. Dê uma olhadela!

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Noticias Medicina geral Gastroenterologia

Como as bactérias podem vir a transformar as investigações de agressões sexuais

A análise forense da microbiota pode oferecer um método inovador para rastrear suspeitos de agressão sexual através de assinaturas bacterianas únicas deixadas durante a relação sexual. Estas “pegadas” microbianas podem perdurar ao longo de vários dias, sendo a deteção possível mesmo quando as provas de ADN são escassas. O novo método de identificação pode, por conseguinte, ajudar um grande número de vítimas, especialmente nos casos em que as referidas provas de ADN se encontram ausentes ou degradadas.

A microbiota vaginal A microbiota urinária

Há muitos anos que as investigações forenses nos casos de crimes de agressão sexual se baseiam essencialmente na análise do ADN masculino humano, frequentemente proveniente do esperma, que é encontrado na vítima. Mas isso nem sempre é simples. Obter uma quantidade suficiente de esperma viável pode ser difícil, especialmente se a colheita de amostras ocorrer mais de 48 horas após a agressão. E é neste contexto que a microbiota – a vasta comunidade de micróbios que vivem em nós e sobre nós – surge no cenário forense, oferecendo uma nova possibilidade de deteção e identificação dos agressores na investigação de crimes sexuais.

Este novo estudo 1 baseia-se em trabalhos anteriores que mostraram que as comunidades microbianas diferem entre locais do corpo e de pessoa para pessoa. Se estas assinaturas microbianas únicas forem transferidas durante as relações sexuais, poderão deixar um rasto que os métodos tradicionais de ADN poderão não ser capazes de detetar? Esta é a questão fulcral, centrando-se especificamente no " (sidenote: Sexoma O conjunto de assinaturas microbianas trocadas especificamente durante as relações sexuais. ) " – a troca microbiana que ocorre durante as relações sexuais.

A ciência proporciona novas possibilidades de investigação de casos difíceis ou não resolvidos de violência sexual. As vítimas de crimes sexuais poderão beneficiar deste progresso científico.

O ato sexual e a nossa assinatura bacteriana específica

O investigador recrutou 12 casais de homens e mulheres numa relação consentida para participarem neste estudo de carácter científico. Os participantes recolheram amostras das suas áreas genitais antes e depois de uma relação sexual com penetração. As amostras do "antes" foram colhidas após um período de abstinência (pelo menos 2 a 4 dias). As amostras do “depois” foram recolhidas de 3 a 12 horas após a relação, reproduzindo um cenário de obtenção de amostras forenses. Em seguida, foi utilizada a sequenciação completa do  (sidenote: Sequenciação do 16S rRNA Um método que lê um “código de barras” genético bacteriano para identificar e diferenciar espécies. ) para analisar cada amostra. O gene 16S é visto como um código de barras bacteriano que permite uma resolução ao nível das espécies, o que é absolutamente fundamental para aplicações forenses.

Como era de esperar, as amostras de pele do pénis masculino revelaram-se geralmente mais diversificadas do que as amostras vaginais femininas. Os casais revelaram diferentes níveis de semelhança microbiana após o sexo, consoante os seus perfis de base.

Portanto, o facto de pertencerem a um casal tem um impacto significativo na composição global das bactérias encontradas. Verificou-se também uma evidente disrupção das comunidades microbianas nas amostras masculinas e femininas após a relação sexual.

Alguns tipos de bactérias foram transferidos entre os parceiros. As bactérias tipicamente encontradas na pele masculina (como Corynebacterium, Staphylococcus e Finegoldia) aumentaram nas amostras femininas, enquanto as principais bactérias vaginais (espécies de Lactobacillus) aumentaram nas amostras masculinas.

Microbiota uretral: uma melhor compreensão das infeções urinárias masculinas

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Descobertas surpreendentes com impacto forense

O mais surpreendente é que, mesmo com o uso de preservativos, as bactérias continuam a transmitir-se, sobretudo da mulher para o homem, deixando atrás de si vestígios microbianos. Bactérias exclusivas e específicas das mulheres permaneceram nos parceiros masculinos durante cinco dias, apesar da higiene, prolongando a deteção forense para além da do ADN do esperma. Além disso, podem surgir novos germes do intestino ou da pele nos órgãos genitais após o sexo, proporcionando potencialmente novas pistas do contacto. Este facto pode conferir novas dimensões aos casos de agressão sexual.

Promessa forense: uma nova ferramenta para a justiça

A principal conclusão é clara: há uma transferência de assinaturas bacterianas específicas durante as relações sexuais. A utilização de técnicas de sequenciação de alta resolução permite aos cientistas forenses uma potencial identificação de tipos bacterianos únicos.

O estudo apresenta provas irrefutáveis de que a análise da microbiota pode constituir uma valiosa ferramenta adicional para a investigação de agressões sexuais, especialmente quando o ADN masculino é escasso ou inexistente. Demonstra igualmente que a troca microscópica de bactérias durante o contacto sexual gera um rasto detetável e de alta resolução – o " (sidenote: Sexoma O conjunto de assinaturas microbianas trocadas especificamente durante as relações sexuais. ) " que é extremamente promissor na ajuda aos investigadores forenses na prossecução da justiça.

A microbiota vaginal

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Noticias Microbiota vaginal

Os efeitos surpreendentes da menopausa na microbiota

Afrontamentos, alterações de humor, secura vaginal... Os sintomas da menopausa são bem conhecidos. No entanto, eles são apenas a ponta do iceberg, de acordo com um estudo 1 sobre as ligações entre o declínio das hormonas sexuais e as microbiotas oral, vaginal e intestinal.

A microbiota vaginal A microbiota intestinal A microbiota ORL

Como é que as alterações hormonais da menopausa modificam a composição das microbiotas oral, intestinal e urogenital? Um grupo de investigadores espanhóis analisou mais de 100 estudos sobre o assunto para tentar responder a esta questão.

26 % das mulheres de todo o mundo têm mais de 50 anos (mais 10% do que em 2011)²

+21 anos É a esperança média de vida de uma mulher de 60 anos²

Essa sua análise, publicada na revista npj Women Health, 1 demonstra que a diminuição das hormonas sexuais (estrogénio e progesterona) altera significativamente as mucosas e tem múltiplos impactos nas diversas comunidades bacterianas do organismo. E é claro que isso tem consequências para a saúde!

45 a 55 anos É a idade em que começa a transição menopáusica para a maioria das mulheres³

20 a 25 % das mulheres pós-menopáusicas sofrem de perturbações graves com impacto na sua qualidade de vida⁴

Microbiota oral

A cavidade oral é uma zona do corpo onde as alterações ligadas à redução dos estrogénios são particularmente visíveis. Para além das alterações da mucosa que desestruturam as comunidades microbianas, verifica-se uma redução da quantidade e da qualidade da saliva, que se torna mais ácida.

Estas duas mutações podem favorecer a inflamação e a colonização da flora oral por bactérias patogénicas. A microbiota, desequilibrada e desregulada, acarreta o risco de lesões e de doenças como a candidíase (proliferação de Candida albicans), a gengivoestomatite (inflamação das gengivas) ou a queilite angular o boqueira (inflamação dos cantos da boca).

A microbiota ORL

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Microbiota vaginal

A diminuição dos estrogénios tem como consequência a redução do teor de glicogénio das células da parede vaginal, que constitui o alimento preferido dos lactobacilos. Estas bactérias, que ocupam geralmente uma posição dominante na microbiota vaginal, segregam ácido láctico, o qual acidifica a vagina e impede a proliferação de agentes patogénicos.

Quando a sua abundância diminui, a vagina torna-se menos ácida e a diversidade bacteriana aumenta, fenómeno que é conhecido como o “paradoxo da menopausa”. O desequilíbrio da flora vaginal resultante abre a porta a patologias como inflamações ou infeções recorrentes, como a vaginose bacteriana, e pode contribuir para o cancro do endométrio. Pode também provocar uma secura persistente. 

A microbiota vaginal

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Microbiota intestinal

Até à data, os estudos não permitem saber se a diminuição dos estrogénios afeta o equilíbrio da microbiota intestinal. Contudo, sabe-se que as mulheres pós-menopáusicas apresentam uma menor abundância de Ruminococcus, família de bactérias em que parte das quais produz ácidos gordos de cadeia curta ( (sidenote: Ácidos Gordos de Cadeia Curta (AGCC) Os Ácidos Gordos de Cadeia Curta são uma fonte de energia (carburante) das células do indivíduo, interagem com o sistema imunitário e estão envolvidos na comunicação entre o intestino e o cérebro. Silva YP, Bernardi A, Frozza RL. The Role of Short-Chain Fatty Acids From Gut Microbiota in Gut-Brain Communication. Front Endocrinol (Lausanne). 2020;11:25. ) ). benéficos. Têm também mais Prevotella e Sutterella, que são duas bactérias associadas à obesidade.

Este desequilíbrio da flora intestinal pode contribuir para determinadas perturbações metabólicas, digestivas ou imunitárias. Uma flora intestinal equilibrada parece desempenhar um papel primordial na saúde em geral, inclusivamente na regulação hormonal.

A microbiota intestinal

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Cuidar da sua microbiota

Embora sejam necessários mais estudos para se poder proporcionar às mulheres menopáusicas tratamentos específicos direcionados para os microrganismos do intestino, da vagina e da boca (probióticos adequados a cada flora, modificações alimentares, etc.), nada as impede de cuidar da sua microbiota para limitar os danos. 

Uma dieta variada, rica em fibras e em alimentos fermentados, uma atividade física diária, se possível num ambiente natural, o abandono do tabaco e do álcool e a utilização de antibióticos com a menor frequência possível têm efeitos benéficos comprovados sobre a microbiota.

Um estilo de vida saudável e equilibrado é, portanto, a melhor forma de contribuir para o equilíbrio da flora microbiana durante a menopausa.

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Como a menopausa afeta as microbiotas

As microbiotas oral, vaginal e intestinal sofrem alterações significativas durante a menopausa. E isto tem consequências para a saúde das mulheres, diz um novo estudo.

A diminuição dos estrogénios associada à menopausa afeta significativamente a microbiota, com repercussões importantes para a saúde da mulher, segundo um estudo realizado por investigadores espanhóis. 1 Nomeadamente, provoca profundas alterações no epitélio oral (adelgaçamento, ressecamento, etc.), que podem afetar a saúde oral e o ecossistema microbiano que vive na sua superfície.

Esta modificação da microbiota oral é frequentemente acompanhada por uma multiplicidade de sintomas ao nível da boca nas mulheres pós-menopáusicas.

A cavidade oral, um local com mudanças significativas

A saliva torna-se menos abundante e mais ácida, o que não só aumenta o risco de cáries e de doença periodontal, como também destabiliza a microbiota oral. Observa-se ainda uma  (sidenote: Disbiose A "disbiose" não é um fenómeno homogéneo – varia em função do estado de saúde de cada indivíduo. É geralmente definida como uma alteração da composição e do funcionamento da microbiota, causada por um conjunto de fatores ambientais e relacionados com o indivíduo que perturbam o ecossistema microbiano. Levy M, Kolodziejczyk AA, Thaiss CA, et al. Dysbiosis and the immune system. Nat Rev Immunol. 2017;17(4):219-232. ) da microbiota oral, suscetível de propiciar a colonização por bactérias patogénicas e o aparecimento de lesões na mucosa, como a “queilite angular”, que é uma inflamação dos cantos da boca.

Dado que as células das glândulas salivares e das gengivas possuem recetores de estrogénio que intervém na imunidade, a flutuação dos níveis hormonais pode conduzir a uma inflamação das mucosas, a qual pode afetar o equilíbrio dos microrganismos e originar doenças como a candidíase, associada à proliferação de Candida albicans, ou a gengivoestomatite, uma inflamação simultânea das gengivas e da mucosa oral.

Ter em conta estas alterações na flora poderá contribuir para melhorar as estratégias de prevenção da saúde oral das mulheres idosas.

O cortisol também age sobre as bactérias orais

O cortisol da saliva, um marcador de stress, é mais elevado nas mulheres na menopausa portadoras de patologias psicossomáticas da cabeça e do pescoço (estomatite aftosa, dor facial atípica, líquen plano, síndrome da boca ardente, boca seca). O cortisol pode alterar diretamente a atividade bacteriana oral e aumentar o risco de doença periodontal. Por exemplo, um estudo demonstrou que, em presença de cortisol, certas bactérias, como a Leptotrichia goodfellowii (associada à gengivite) ou as do filo Fusobacteria, se tornavam mais ativas. Este estudo salienta que tal regulação hormonal da microbiota pode também estender-se ao eixo intestino-cérebro.

É possível que este tipo de perturbações intestinais contribua para as patologias inflamatórias ou neurodigestivas relacionadas com a idade.

Maior diversidade bacteriana na microbiota vaginal

A nível vaginal, a menopausa faz-se acompanhar de uma diminuição da prevalência dos Lactobacilos – os quais normalmente acidificam a vagina e impedem a proliferação de agentes patogénicos e de um aumento da diversidade bacteriana. É o famoso “ (sidenote: Paradoxo da menopausa O paradoxo da menopausa é a observação simultânea de uma diminuição da dominância microbiana e um aumento da riqueza microbiana no nicho vaginal, podendo aplicar-se a outras microbiotas do corpo. ) .”

Estas alterações aumentam a suscetibilidade à vaginose bacteriana e podem contribuir para doenças como o cancro do endométrio. Além disso, as mulheres pós-menopáusicas que sofrem de sintomas graves de secura vaginal, (sidenote: Dispareunia Dor genital recorrente ou persistente que se manifesta durante as relações sexuais. ) (dor durante a relação sexual) e dor vaginal apresentam frequentemente uma maior diversidade bacteriana do que as que não sofrem desses sintomas.

Estrogénios e microbiota: uma relação dinâmica bidirecional

Segundo se crê, determinadas bactérias da microbiota serão capazes de “desconjugar” os estrogénios ligados a proteínas que circulam na corrente sanguínea, tornando desta forma as referidas hormonas biologicamente ativas. É o chamado “estroboloma”. A sua ação poderá influenciar a disponibilidade de estrogénios e, por conseguinte, os processos fisiológicos que lhes estão associados. Mas não só!

Mudanças fisiológicas

Conjunto de mudanças fisiológicas e histológicas no organismo, conduzindo a alterações nas composições e metabolismos da comunidade microbiana residente devido a mudanças hormonais durante o envelhecimento das mulheres.

Se certas bactérias da microbiota gengival e intestinal podem modificar o efeito dos estrogénios degradando-os, as hormonas podem, por sua vez, influenciar diretamente a atividade bacteriana: efeitos bacteriostáticos ou bactericidas, estimulação do crescimento ou da atividade proteolítica, modulação da formação de biofilme, etc.

Podem permitir, assim, intervenções específicas, como a utilização de probióticos para restabelecer a flora protetora.

O conjunto de todas estas dinâmicas bidirecionais entre as hormonas sexuais e as bactérias pode ser completamente subvertido durante a menopausa, com consequências importantes para a saúde da mulher. Tais interações vêm reiterar a importância de uma abordagem sistémica para a compreensão da microbiota.

Rumo a uma melhor assistência às mulheres pós-menopáusicas

Segundo os investigadores, existem ainda numerosas incógnitas quanto às interações entre as hormonas sexuais e as microbiotas oral, intestinal e urogenital. Mas a ciência continua a avançar e novos estudos deverão em breve fornecer pistas terapêuticas até agora inexploradas (modificações alimentares, probióticos, intervenções personalizadas, etc.).

Objetivo: aliviar os sintomas da menopausa e melhorar a saúde geral das mulheres. A acompanhar!

Xpeer: Microbiota na saúde íntima da mulher ao longo da vida

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Dor pélvica: e se la culpa fosse da microbiota?

É um duplo flagelo: algumas mulheres sofrem não só de dor pélvica crónica, mas também de dor excessiva. E se algumas bactérias explicassem o facto de essas bexigas, vaginas ou retos serem tão sensíveis?

A microbiota intestinal A microbiota vaginal

Nem sempre se sabe, mas todos os órgãos que estabelecem interação com o mundo exterior, incluindo a bexiga (e não, claro que a urina não é estéril!) e a vagina vagina (onde vivem os lactobacilos), possuem uma microbiota residente que contribui para o seu bom funcionamento... ou, em caso de disbiose, para um estado patológico, incluindo a sensação de dor

Para apurarem mais informações, os investigadores examinaram 30 mulheres que sofriam de (sidenote: Dolor pélvico crónico Dolor persistente, sin relación con el ciclo menstrual, en estructuras relacionadas con la pelvis, que dura más de seis meses. En muchos casos no se identifica una causa específica y puede considerarse un síndrome de dolor regional crónico o un síndrome somático funcional. Suele asociarse a otros síndromes de dolor somático funcional (por ejemplo, síndrome del intestino irritable, síndrome de fatiga crónica inespecífico), así como a trastornos mentales (estrés postraumático o depresión). Aprofundar: Speer LM, Mushkbar S, Erbele T. Chronic Pelvic Pain in Women. Am Fam Physician… )  (DPC), metade das quais apresentando (sidenote: Hipersensibilização pélvica Diminuição dos limiares nociceptivos corticais que provoca desconforto ou dor perante estímulos normalmente indolores, como a repleção da bexiga, a perceção exagerada do funcionamento do sistema digestivo, o ardor vulvar ao contacto e uma dor anormalmente intensa perante estímulos normalmente dolorosos. Aprofundar: CHU Dijon ) , o simples roçar da roupa interior ou a bexiga cheia desencadeavam dores. 1

26% A dor pélvica crónica afeta cerca de 26% das mulheres no mundo inteiro. ²

3 meses dor crónica é uma dor que persiste por mais de 3 meses. ³

4% a 16% das mulheres, é a prevalência da DPC. É semelhante à da enxaqueca ou da asma. ⁴

Microbiotas em más condições

As mulheres que sofrem de DPC com hipersensibilidade apresentam limiares de perceção da dor muito baixos: uma pressão muito ligeira na bexiga, por exemplo, é suficiente para desencadear dor. Mas isso não é tudo: a dor que sentem não apenas é mais intensa, também é mais prolongada no tempo. Por outras palavras, tudo contribui para aumentar o sofrimento.

Estas mulheres apresentam uma alteração nas suas microbiotas intestinal, urinária (bexiga) e vaginal, geralmente com um declínio dos lactobacilos benéficos: menos Lactobacillus no intestino; uma microbiota vaginal mais diversificada (o que não é bom indício), enriquecida em Streptococcus e Prevotella e abandonada por outros grupos bacterianos; e uma microbiota urinária mais diversificada (o que também não é bom), com Clostridium sensu stricto 1 em destaque.

Um olhar mais atento sobre as doenças associadas à dor pélvica crónica:

A dor pélvica crónica, que atinge cerca de 26% das mulheres em todo o mundo, surge frequentemente associada a outras doenças, como:

∙ Endometriose,  uma doença ginecológica em que tecido semelhante ao endométrio se desenvolve fora do útero, causando dor e infertilidade.

∙ SCI (síndrome do cólon irritável), uma perturbação do intestino marcada por dores abdominais, inchaço, diarreia ou obstipação e frequentemente agravada por disbiose intestinal.

∙ Outras síndromes de dor crónica ou perturbações mentais (stress pós-traumático, depressão, etc.).

Em todos estes casos, a microbiota — intestinal, vaginal ou urinária — desempenha um potencial papel que merece atenção especial, em conexão com a evolução dessas doenças.

Um perfil bacteriano específico como marcador de dor

Ainda mais preocupante: algumas dessas bactérias sobre ou sub-representadas nas mulheres hipersensíveis estão diretamente associadas a sintomas clínicos. Por exemplo, menos Akkermansia ou Faecalibacterium no intestino significa mais dor retal. Menos L. jensenii na vagina indica menstruações mais dolorosas e menor capacidade da bexiga. Menos Lactobacillus na bexiga faz com que ela seja menos eficiente.

Menstruação dolorosa: e se a microbiota vaginal também for responsável?

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Reequilibrar a microbiota para reduzir a dor?

No final, os investigadores conseguiram determinar perfis bacterianos marcadores de sensibilidade, a partir de bactérias da flora intestinal, vaginal e urinária.

Serão elas a causa ou uma consequência da dor? Ainda não é possível dizer. Mas o que é possível dizer é que isto revela eventuais caminhos promissores: os probióticos poderão ser, no futuro, uma solução terapêutica para estas mulheres, tal como os prebióticos, os simbióticos ou as abordagens nutricionais. Ao se agir sobre a microbiota, poder-se-á assim aliviar certas formas de dor.

E se reequilibrar essas microbiotas com probióticos permitisse não só aliviar a dor, mas também intervir nas causas subjacentes da doença?

Aprofundar:

Atualmente, há vários estudos que analisam o papel dos probióticos no tratamento de doenças como a endometriose, SCI (síndrome do cólon irritável), ou outras afeções que apresentam inflamação intestinal persistente.

Qual é a diferença entre prebióticos, probióticos e pós-bióticos?

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Dor pélvica crónica: algumas bactérias específicas actuam como marcadores

Foram identificadas assinaturas microbianas intestinais, vaginais e urinárias, biomarcadores - ou talvez mesmo corresponsáveis? - da hipersensibilidade dos órgãos pélvicos na dor pélvica crónica. 1

É sabido que a microbiota intestinal, mediante a produção de metabolitos bacterianos, contribui para a hipersensibilidade visceral. Mas e quanto a outros órgãos e outras microbiotas? As microbiotas urinária ou vaginal também poderão contribuir para a sensibilidade à dor da bexiga ou da vagina? Para aprofundarem esta questão, investigadores estudaram 30 pacientes que sofriam de (sidenote: Dolor pélvico crónico Dolor persistente, sin relación con el ciclo menstrual, en estructuras relacionadas con la pelvis, que dura más de seis meses. En muchos casos no se identifica una causa específica y puede considerarse un síndrome de dolor regional crónico o un síndrome somático funcional. Suele asociarse a otros síndromes de dolor somático funcional (por ejemplo, síndrome del intestino irritable, síndrome de fatiga crónica inespecífico), así como a trastornos mentales (estrés postraumático o depresión). Aprofundar: Speer LM, Mushkbar S, Erbele T. Chronic Pelvic Pain in Women. Am Fam Physician… ) (DPC) ou CPP em inglês (Chronic Pelvic Pain), metade das quais apresentando também (sidenote: Hipersensibilização pélvica Diminuição dos limiares nociceptivos corticais que provoca desconforto ou dor perante estímulos normalmente indolores, como a repleção da bexiga, a perceção exagerada do funcionamento do sistema digestivo, o ardor vulvar ao contacto e uma dor anormalmente intensa perante estímulos normalmente dolorosos. Aprofundar: CHU Dijon ) de um órgão pélvico.

Microbiotas alteradas em caso de hipersensibilidade

Os limiares de dor por pressão são muito mais baixos nas mulheres com DPC com hipersensibilidade na vagina, reto, bexiga e períneo em comparação com as mulheres com DPC sem hipersensibilidade associada. Após estimulação, essas mulheres sentem dores nos músculos perineais e na bexiga que são não só mais intensas, mas também mais prolongadas.

26% A dor pélvica crónica afeta cerca de 26% das mulheres no mundo inteiro. ²

50%-90% Verifica-se a existência de dor e de disfunção músculo-esquelética em 50 a 90% das pacientes que sofrem de DPC. ²

No que diz respeito à microbiota, as mulheres hipersensíveis apresentam indícios de disbiose, nomeadamente uma diminuição dos lactobacilos benéficos: a microbiota digestiva encontra-se empobrecida em Lactobacillus; a microbiota vaginal é mais diversificada (embora a flora vaginal ideal seja geralmente pouco diversificada), consideravelmente enriquecida em Streptococcus e Prevotella e empobrecida em Lactobacillus jensenii e Gardnerella vaginalis; e a microbiota urinária é também mais diversificada e enriquecida em Clostridium sensu stricto 1.

Aprofundar:

Nas doentes com endometriose, esta disbiose pode ser exacerbada, contribuindo para a intensificação dos sintomas dolorosos, nomeadamente durante a menstruação.

Disbioses relacionadas com características clínicas

Sobretudo, a abundância relativa de certas bactérias no caso de pessoas hipersensíveis está associada a caraterísticas clínicas e a uma maior sensibilidade dos órgãos:

  • a escassa abundância intestinal de Akkermansia, Desulfovibrio, Faecalibacterium e CAG-352 encontra-se associada a um aumento da intensidade da dor rectal;
  • a carência de Lactobacillus jensenii vaginal está associada a mais dismenorreia e a uma perda de capacidade vesical; e o aumento da prevalência de duas espécies de Prevotella com o aparecimento de dismenorreia;
  • na microbiota urinária, a menor abundância de Lactobacillus é correlacionada com a perda de capacidade da bexiga e com uma pior qualidade de vida.

Aprofundar:

Há também alterações na microbiota em outras patologias ginecológicas, como a endometriose, e em doenças gastroenterológicas, como a SCI (síndrome do cólon irritável), em que a disbiose é um fator fisiopatológico reconhecido.

Endometriose e Microbiota: quais são as ligações?

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40% A dor pélvica crónica é responsável por 40% das laparoscopias e 12% das histerectomias realizadas todos os anos nos Estados Unidos, embora não seja de origem ginecológica em 80% das doentes. ²

Um perfil bacteriano específico como marcador de sensibilidade

Ao mesmo tempo, os investigadores identificaram assinaturas bacterianas intestinais, vaginais e urinárias que representam biomarcadores de hipersensibilidade pélvica nas mulheres que sofrem de dor pélvica crónica.

Será que são essas bactérias a causa da doença? Serão necessários modelos pré-clínicos animais para se validar uma possível relação de causa e efeito. Contudo, este trabalho abre igualmente caminho a abordagens nutricionais e, também, terapêuticas: será que os prebióticos, probióticos, e simbióticos que visam as diferentes microbiotas urogenitais podem melhorar a sensibilização nas mulheres com DPC?

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Noticias Ginecologia Medicina geral

Doença celíaca: o "sem glúten" não é tão simples para os intestinos

Em pacientes com doença celíaca, um ano de dieta sem glúten certamente melhora o bem-estar, mas empobrece a microbiota. 1 em cada 3 pacientes continua a sofrer de sintomas gastrointestinais. E se a gente associasse os prebióticos e os simbióticos?

A microbiota intestinal Doença celíaca

Quando se tem (sidenote: Doença celíaca Distúrbio autoimune que afeta principalmente o intestino delgado. É desencadeada pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos. ) , o tratamento é categórico: (sidenote: Glúten (do latim glue que significa cola): substância azotada viscosa formada após a hidratação da farinha, a partir de certas proteínas (gluteninas e gliadinas) dos cereais, principalmente do trigo. ) . Mas o que acontece realmente nos intestinos dos pacientes após um ano de dieta sem glúten? Que impacto essa dieta exerce na microbiota intestinal? Os sintomas permanecem? Um estudo britânico recente debruçou-se sobre esta questão.

1% A prevalência da doença celíaca na população em geral varia de 0,5% a 2%, com uma média de cerca de 1%. ²

2 ou 3 Tal como acontece com outras doenças autoimunes, a doença celíaca é mais comum nas mulheres, que são 2 a 3 vezes mais afetadas do que os homens. ³

Antes de adotar uma alimentação sem glúten, os pacientes e os intestinos sofrem

Antes de iniciarem a sua dieta sem glúten, as pessoas que sofrem de doença celíaca já apresentam diferenças notáveis: tristeza, sintomas digestivos, fezes menos hidratadas quando o teor de água no intestino delgado é excessivo e, sobretudo, um trânsito intestinal muito mais lento. A causa? Lesões na parede intestinal que alteram a absorção e a secreção de água, mas provavelmente também uma inflamação crónica e um desequilíbrio de certas hormonas digestivas.

Perturbações digestivas

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Um ano sem glúten: melhor, mas não perfeito

Uma boa notícia! Após um ano de dieta sem glúten, os pacientes sentiam-se melhor em geral, estavam menos ansiosos e o seu trânsito intestinal havia acelerado ligeiramente. Mas não foi uma revolução: o seu bem-estar continua a ser inferior ao das pessoas sem doença celíaca e alguns dos pacientes continuam a ter sintomas relacionados com a doença.

O facto é que esta dieta sobrecarrega a microbiota, ou seja, todas as bactérias que habitam os nossos intestinos. A evicção do trigo na alimentação - e de todos os seus derivados, desde o pão às bolachas e massas - não elimina somente o glúten, mas também a fibra proveniente deste cereal e, com ela, as bifidobactérias benéficas que gostavam desta fibra. Por outro lado, a dieta parece aumentar as bactérias ligadas à degradação de proteínas que poderíamos ter dispensado, como a E. coli ou a Peptostreptococcus.

Gluten

Na Europa, o consumo médio de glúten situa-se entre 10 g e 20 g por dia, com alguns membros da população em geral a consumir até 50 g por dia, ou mais. 4

Os cereais que contêm glúten (trigo, centeio, cevada, aveia, espelta, kamut ou as suas estirpes hibridizadas) e os produtos à base destes cereais figuram na lista dos 14 alergénios considerados importantes pela regulamentação europeia em matéria de rotulagem dos géneros alimentícios. 5

30% dos pacientes com doença celíaca apresentaram sintomas persistentes ou agravados após um ano de dieta sem glúten. 1

Doença celíaca, alergia ao trigo, hipersensibilidade ao glúten: não confunda! 6,7

O glúten não é "tóxico" para os seres humanos: é bem tolerado pela maioria dos consumidores. No entanto, está envolvido em duas doenças muito diferentes:

  • na doença celíaca, uma doença autoimune (o corpo ataca a si próprio) que ocorre durante várias semanas ou anos após a exposição ao glúten e se manifesta como lesões na parede do intestino delgado. O seu diagnóstico é confirmado pela presença de  (sidenote: Anticorpos De acordo com o estudo, os anticorpos são descritos como marcadores biológicos, fundamentais para o diagnóstico e monitorização da doença celíaca. ) no sangue;
  • na alergia ao trigo que ocorre minutos ou horas após o contacto com o glúten ou outras proteínas do trigo. Desencadeia uma resposta imunológica no organismo e a libertação de histamina. Dependendo do estudo, a sua prevalência varia de 0,5% a 9% nas crianças e de 0,4% a 1% nos adultos.

Hypersensitivity to gluten

Para além da alergia ao trigo e da doença celíaca, existem casos de reação ao glúten que não são nem alergia nem doença celíaca em termos dos mecanismos envolvidos e que ocorrem nas horas ou dias seguintes à exposição.

Estas reações são atualmente designadas por uma "sensibilidade ao glúten não celíaca" ou uma "sensibilidade ao glúten" ou, em França, uma "hipersensibilidade ao glúten" ou "intolerância ao glúten". A sua existência continua a ser objeto de debate e controvérsia, sobretudo porque não existem biomarcadores de diagnóstico.

Na ausência de um diagnóstico destas doenças e de uma recomendação médica, não se recomenda eliminar o glúten da alimentação.

E se a dieta não for suficiente?

Outra descoberta importante: 1 em cada 3 pacientes relata sintomas gastrointestinais persistentes ou mesmo agravados, apesar da evicção do glúten. Certos ácidos gordos específicos e a presença de determinadas bactérias na microbiota intestinal poderiam explicar esta persistência dos sintomas.

Embora seja imperativo evitar rigorosamente o glúten no caso da doença celíaca, este estudo mostra que nem sempre é suficiente. Assim, no futuro, a ideia seria combinar (sidenote: Prebióticos Os prebióticos são fibras alimentares específicas não digeríveis que têm efeitos benéficos na saúde. São utilizados de forma seletiva pelos micro-organismos benéficos da microbiota do indivíduo. Os produtos específicos que combinam probióticos e prebióticos chamam-se produtos simbióticos. Gibson GR, Hutkins R, Sanders ME, et al. Expert consensus document: The International Scientific Association for Probiotics and Prebiotics (ISAPP) consensus statement on the definition and scope of prebiotics. Nat Rev Gastroenterol Hepatol. 2017;14(8):491-502. Markowiak P, Śliżewska K. Effects of Probiotics, Prebiotics, and Synbiotics on Human Health. Nutrients. 2017;9(9):1021. ) específicos (fibras que alimentam as bactérias boas) ou simbióticos (uma mistura de pré e probióticos) para estimular uma microbiota mais saudável... e melhorar o conforto digestivo, mesmo em pacientes cujos níveis de anticorpos voltaram ao normal, sinal de uma boa resposta imunológica à dieta.

Qual é a diferença entre prebióticos, probióticos e pós-bióticos?

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