Cancro: a microbiota associada ao efeito abscópico

Como se explicam os efeitos abscópicos da radioterapia no âmbito da imunoterapia? Crê-se que a irradiação intestinal de dose reduzida, tanto intencional como acidental, atua em sinergia com a imunoterapia, tendo a microbiota intestinal um papel importante.

Trata-se de um dos enigmas da investigação oncológica: os efeitos (sidenote: E Efeito abscópico Do latim ab- “distante” e do grego skopos “alvo”, literalmente “longe do alvo” - Regressão de lesões tumorais localizadas fora do campo de irradiação, uma vez que a irradiação de uma lesão pode levar à ativação de respostas imunitárias antitumorais, ou potenciar a sua eficácia, levando assim à destruição de lesões não irradiadas por parte de efetores imunitários antitumorais. Aprofundar: https://doi.org/10.1016/j.mednuc.2024.11.007 ) da radioterapia, que se observam em alguns doentes, mas não noutros. No entanto, há uma grande novidade em 2025: uma equipa internacional demonstrou que a irradiação intestinal de baixa dose (ILDR) aumenta a eficácia clínica da quimioterapia ou das imunoterapias que têm como alvo os (sidenote: Os pontos de controlo imunitário são utilizados pelos tumores para se protegerem dos ataques do sistema imunitário e podem ser bloqueados pela terapêutica com ICI, de modo a restaurar a função do sistema imunitário. )  em 8 coortes retrospetivas de doentes e num modelo pré-clínico de ratinho. Esta investigação evidencia o papel fundamental do ambiente intestinal na resposta ao tratamento.

Uma questão de dose...

Os investigadores tomaram como ponto de partida doentes com tumores metastáticos incluídos num ensaio multicêntrico de fase 2, os quais receberam (sidenote: SABR (Stereotactic Ablation Body Radiotherapy, ou radioterapia de ablação estereotáxica) também chamada SBRT (Stereotactic Body Radiation Therapy, ou radioterapia estereotáxica corporal) Radioterapia, que consiste na emissão de múltiplos feixes de radiação de diferentes ângulos que convergem para o tumor. O tumor recebe assim uma elevada dose de radiação, enquanto cada feixe que circula no tecido vizinho é de dose reduzida. Isto reduz os efeitos da radiação no tecido saudável ao redor do tumor. A SBRT é administrada em menos sessões do que a radioterapia externa convencional. Pode ser utilizada para tratar tumores do pâncreas, do pulmão, do fígado ou da coluna vertebral. Aprofundar: https://cancer.ca/fr/treatments/treatment-types/radiation-therapy/external-radi… ) em combinação com um anticorpo anti-PD-L1. De entre estes, 13 doentes (41%) expostos a ILDR acidental, com uma dose mediana de radioterapia de 3,3 Gy no duodeno, 1,0 Gy no jejuno/íleo e 1,3 Gy no cólon, apresentaram uma taxa de sobrevivência muito superior aos 24 meses: 38% (5/13) contra 5% (1/19). Este resultado destaca o aumento da eficácia de um tratamento combinado.

Na sequência deste resultado inesperado, os investigadores revisitaram os resultados de 7 coortes independentes de doentes com cancro, num total de 388 doentes. A conclusão foi a mesma: a administração fortuita de ILDR em doses de 0,25 a 3 Gy aumenta a sobrevivência nos doentes com cancro avançado.

Microbiota, cancro e imunoterapia

A microbiota intestinal desempenha um papel fundamental na resposta às imunoterapias contra o cancro. Determinadas bactérias intestinais, como as Clostridiales, reforçam a imunidade antitumoral. Inversamente, os antibióticos podem comprometer a eficácia dos tratamentos imunitários. O transplante de microbiota fecal (TMF) surge assim, portanto, como uma estratégia terapêutica promissora.

... e bactérias

A resposta imunitária antitumoral e a taxa de sobrevivência parecem também estar ligadas a diferenças na flora intestinal dos pacientes: em comparação com adultos saudáveis, os indivíduos refratários ao tratamento combinado de ILDR e anticorpos anti-PD-L1 albergavam, antes do tratamento, menos espécies de bactérias típicas daqueles que responderam ao tratamento (Christensenella minuta e Ruminococcus bromii) e mais espécies de bactérias típicas de uma má resposta ao tratamento (Enterocloster aldensis e Parabacteroides distasonis).

Aparentemente, as interações metabólicas e imunitárias entre o hospedeiro e a microbiota intestinal permitirão a ativação das células T CD8⁺. Diversas estirpes de Christensenella minuta parecem aumentar seletivamente a eficácia da ILDR e do anti PD-L1, fomentando a migração de células dendríticas intestinais que expressam PD-L1 para os gânglios linfáticos que drenam o tumor.

Segundo os autores, a análise da microbiota intestinal antes do início do tratamento poderá ajudar a selecionar os doentes suscetíveis de beneficiar deste tratamento combinado... e os doentes disbióticos que poderão tirar partido de um transplante prévio de microbiota fecal.

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O impacto da puberdade na microbiota das meninas

O que acontece com a microbiota de uma menina à medida que ela cresce? Da primeira infância até a puberdade, a microbiota intestinal, cutânea e vaginal está em constante evolução. Alimentação, ambiente, hábitos de higiene e hormônios desempenham um papel importante.

Mas o que é considerado normal? Como a puberdade e a menstruação mudam esse cenário? Por que algumas meninas têm mais infecções ou problemas de pele do que outras? Com base em evidências científicas, esta seção explora como essas mudanças microbianas podem influenciar a imunidade, o humor e a saúde geral e como as meninas podem cuidar da sua microbiota em cada etapa da vida.

Desenvolvimento da microbiota em crianças

Antes de falar sobre a puberdade, vamos abordar o desenvolvimento da microbiota em crianças. Do intestino à pele, a microbiota infantil desempenha um papel fundamental na saúde, sendo moldada pelas fases iniciais da vida, por alergias e por fatores ambientais. Descubra como os microrganismos influenciam a imunidade e o risco de doenças ao longo da infância.

E quanto à microbiota intestinal?

O que realmente sabemos sobre o desenvolvimento da microbiota intestinal de uma criança? De cólicas a antibióticos, da imunidade às fases iniciais da vida, explore as pesquisas mais recentes que respondem às principais dúvidas dos pais sobre o papel da microbiota na saúde infantil.

E quanto às alergias?

As alergias na infância alimentares, respiratórias e cutâneas estão cada vez mais associadas ao desenvolvimento da microbiota. Descubra como as influências microbianas precoces moldam os riscos de alergia desde a gravidez até os primeiros anos de vida.

Impacto do ambiente na microbiota infantil

Como o ambiente influencia a microbiota de uma criança?

Da exposição à natureza às interações diárias com animais de estimação e familiares, explore as pesquisas mais recentes sobre como os fatores ambientais influenciam os microbiomas intestinal, cutâneo e outros no desenvolvimento infantil.

Higiene íntima e a microbiota das meninas

O que a sua higiene tem a ver com a sua microbiota? Muita coisa, na verdade! Desde a menstruação até os hábitos diários, a forma como você cuida do seu corpo pode influenciar as microbiotas vaginal e intestinal e te proteger contra infecções como infecções urinárias ou candidíase. Quer saber o que é normal, o que não é e como manter o equilíbrio? Vamos esclarecer tudo isso.

Como a microbiota é formada?

Como a microbiota de uma menina é formada e por que isso é importante para a sua saúde? Do nascimento à adolescência, entenda como a microbiota intestinal e íntima influencia a higiene, a imunidade e o bem-estar e descubra dicas para que as meninas mantenham esse equilíbrio ao longo do crescimento.

Como cuidar da sua microbiota íntima

Como a microbiota de uma menina afeta sua saúde? Da higiene íntima à menstruação, os hábitos adotados desde cedo influenciam o equilíbrio das microbiotas intestinal e vaginal. Entenda por que conhecer e proteger esses ecossistemas desde a infância é essencial para prevenir infecções, vaginose bacteriana ou síndrome do choque tóxico.

Infecções vaginais e microbiota

As infecções vaginais e íntimas em meninas estão associadas a desequilíbrios na microbiota. Mas o que causa esses desequilíbrios? Descubra como a higiene, o estilo de vida e a alimentação influenciam a microbiota vaginal e conheça melhor essas infecções e como preveni-las.

Puberdade, hormônios e microbiota

A puberdade desencadeia mudanças hormonais que têm um impacto profundo na microbiota do intestino, da pele e das regiões íntimas.
Explore como essas transformações influenciam aspectos essenciais da saúde na adolescência, desde o humor e problemas de pele como a acne até o bem-estar geral.

Hormônios em flutuação e microbiota íntima

A puberdade traz flutuações hormonais que podem afetar significativamente a microbiota íntima. Descubra como essas mudanças hormonais influenciam a microbiota vaginal e conheça as descobertas mais recentes sobre como os hormônios e os contraceptivos impactam a saúde da microbiota.

Primeiras menstruações e microbiota íntima

A chegada da menstruação marca uma grande mudança mas como isso afeta a microbiota íntima? Entenda por que você pode sentir cólicas menstruais e como o ciclo menstrual, os contraceptivos e a microbiota vaginal estão todos interligados.

Cuidando da microbiota íntima

Cuidar da microbiota íntima é fundamental para a saúde, especialmente durante a puberdade. Descubra como manter um microbioma vaginal equilibrado e prevenir infecções como a vaginose bacteriana com as informações mais recentes sobre higiene e hormônios.

Outros impactos da puberdade nos adolescentes

A puberdade traz mudanças hormonais significativas que influenciam profundamente a microbiota. Descubra como essas transformações afetam os microbiomas intestinal, cutâneo e íntimo, desempenhando um papel essencial no humor, na acne e no bem-estar geral durante a adolescência.

O que as mulheres sabem (e o que não sabem)

sobre sua microbiota vaginal

Qual é a relação entre a microbiota e a saúde da mulher? O Observatório Internacional da Microbiota, com base em uma pesquisa realizada com 7.500 pessoas em 11 países, analisa o conhecimento, as percepções e os comportamentos das mulheres em relação às microbiotas intestinal, vaginal e urinária. A edição de 2024 revela uma falta de conscientização global, um interesse crescente pelo papel da microbiota na saúde hormonal, digestiva e íntima, além de uma forte demanda por mais prevenção, educação e apoio. Explore o relatório completo para descobrir os principais insights, dados de destaque e o que as mulheres ao redor do mundo realmente sabem sobre sua microbiota.

Descubra a pesquisa do Observatório Internacional de las Microbiotas de 2024

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Como os metabólitos do microbioma oral estimulam doenças gengivais e inflamações

E se as doenças gengivais não forem apenas uma questão das bactérias orais, mas estiverem relacionadas com o que secretam? Um novo estudo 1 rrevela metabólitos específicos do microbioma oral que não apenas coexistem, mas inflamam, danificam e estimulam doenças periodontais. É verdade que a boca fala, mas os metabólitos gritam.

As doenças periodontais (doenças gengivais) representam um grande problema de saúde global. Um fator contribuinte significativo para o seu desenvolvimento e progressão é a  (sidenote: Disbiose A "disbiose" não é um fenómeno homogéneo – varia em função do estado de saúde de cada indivíduo. É geralmente definida como uma alteração da composição e do funcionamento da microbiota, causada por um conjunto de fatores ambientais e relacionados com o indivíduo que perturbam o ecossistema microbiano. Levy M, Kolodziejczyk AA, Thaiss CA, et al. Dysbiosis and the immune system. Nat Rev Immunol. 2017;17(4):219-232. ) da microbiota oral. Historicamente, concentramo-nos veementemente na identificação de espécies patogénicas de bactérias, mas este novo estudo 1 estaca outra camada crítica: os metabólitos que estes micróbios produzem e como influenciam diretamente a saúde dos nossos tecidos gengivais. 

Este estudo mostra que um desequilíbrio na microbiota oral afeta diretamente a quantidade e o equilíbrio composicional dos metabólitos. Alguns metabólitos correlacionados com bactérias prevalentes na periodontite podem exibir efeitos indutores de inflamação nas (sidenote: Células epiteliais gengivais São as células superficiais que formam o revestimento das gengivas e atuam como a primeira barreira contra a invasão microbiana na cavidade oral. )  humanas. Isso demonstra uma nítida ligação entre o ecossistema microbiano oral alterado, a sua produção metabólica e a resposta inflamatória nos tecidos do hospedeiro.

Ligação microbioma-metabólito

Os autores deste estudo, da Faculdade de Ciências Odontológicas da Universidade de Kyushu, no Japão, examinaram a água utilizada para enxaguar a boca de indivíduos com doença periodontal (n=24) e controlos saudáveis (n=22). A água utilizada para enxaguar a boca é considerada uma amostra pertinente, pois reflete as informações presentes na saliva. Não apenas identificaram as bactérias mais prevalentes nos estados de doença confirmando a presença dos suspeitos usuais como a Porphyromonas gingivalis e a Fusobacterium nucleatum, but crucially, they correlated these specific bacterial species with the metabolites found in the same samples. mas, crucialmente, correlacionaram estas espécies bacterianas específicas com os metabólitos encontrados nas mesmas amostras. Esta abordagem direcionada identificou 20 metabólitos estreitamente associados ao microbioma da periodontite. Estes compostos não eram apenas aleatórios, mas incluíam coisas como derivados de aminoácidos,  (sidenote: Ácidos Gordos de Cadeia Curta (AGCC) Os Ácidos Gordos de Cadeia Curta são uma fonte de energia (carburante) das células do indivíduo, interagem com o sistema imunitário e estão envolvidos na comunicação entre o intestino e o cérebro. Silva YP, Bernardi A, Frozza RL. The Role of Short-Chain Fatty Acids From Gut Microbiota in Gut-Brain Communication. Front Endocrinol (Lausanne). 2020;11:25. )  e poliaminas.

Esta abordagem destaca a profundidade com a qual o microbioma oral interage com o ambiente do hospedeiro através dos seus subprodutos metabólicos. Além de espécies bacterianas bem conhecidas, o estudo demonstra que os seus perfis metabólicos — especialmente sob condições de doença — podem interromper significativamente a homeostase da placa, sugerindo que tais desequilíbrios não são apenas correlativos, mas possivelmente causais.

Metabólitos com efeitos patogénicos

O próximo passo crítico consistiu em observar se esses metabólitos identificados poderiam realmente agir sobre as células da gengiva humana. Foram testados 20 metabólitos correlacionados em células epiteliais gengivais humanas. Os resultados mostraram que vários compostos exibiram sinais claros de patogenicidade. Especificamente, o propionato, o succinato, a  (sidenote: Homoserina Derivado de aminoácidos não comumente encontrados no metabolismo humano, mas produzido por certas bactérias. Pode ter efeitos pró-inflamatórios ou citotóxicos nos tecidos do hospedeiro, como o epitélio da gengiva. ) , e a citrulina inibiram significativamente o crescimento dessas células epiteliais da gengiva. Além disso, o tratamento de células que contêm homoserina, propionato e succinato aumentou significativamente a expressão de  (sidenote: Interleucina-8 (IL-8) Proteína de sinalização (citocina) liberada pelas células para atrair células imunes como neutrófilos para o local da infeção ou inflamação. Uma IL-8 elevada geralmente indica inflamações teciduais contínuas. ) ,  uma citocina inflamatória essencial, indicando que esses metabólitos podem desencadear inflamações locais e contribuir para o dano tecidual induzido pela placa. 

O estudo também sugere que a periodontite crónica pode ser exacerbada por um desequilíbrio sustentado no metabolismo microbiano, tornando os metabólitos microbianos potenciais biomarcadores tanto do início precoce da doença quanto da rutura da placa.

Finalmente, embora se saiba que a homoserina é produzida por outras bactérias, este estudo apresentou uma nova descoberta ao detetar a sua produção por várias espécies-chave de bactérias periodontais, incluindo as bactérias Prevotella melaninogenica, Prevotella intermedia e Porphyromonas gingivalis. Isto sugere que estes micróbios associados à periodontite estão a contribuir diretamente para os níveis locais de homoserina observados em condições de doença, confirmando o seu potencial de impacto no hospedeiro

Que soluções para as doenças gengivais?

Novas terapias baseadas em microbiomas dentários estão a oferecer alternativas promissoras para o tratamento de doenças gengivais, restaurando o equilíbrio saudável das comunidades microbianas da boca. Os probióticos, bactérias benéficas encontradas em suplementos alimentares, demonstraram reduzir a inflamação e os micróbios prejudiciais quando utilizados juntamente com uma assistência odontológica tradicional.

Outras abordagens inovadoras e emergentes, como transplantes orais de microbiomas 2 e peptídeos antimicrobianos direcionados, estão a ser exploradas em ambientes de investigação, com o objetivo de fornecer tratamentos mais suaves e eficazes que abordem a causa principal de doenças gengivais, em vez de simplesmente eliminar todas as bactérias.

Este estudo fornece essencialmente evidências convincentes de que metabólitos específicos, além das próprias bactérias, são participantes ativos na condução da progressão de doenças periodontais. Estes subprodutos microbianos oferecem novos alvos terapêuticos e também podem servir como novos indicadores de diagnóstico de periodontite, abrindo perspetivas futuras em cuidados preditivos, diagnósticos orais e terapias centradas na microbiota.

Xpeer: A lógica por detrás de porquê e como escolher um probiótico

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Noticias Medicina geral

O que os micróbios da sua boca lhe dizem realmente!

E se as doenças gengivais não forem apenas causadas por uma má escovação, mas por produtos químicos tóxicos produzidos por bactérias na sua boca? Novas investigações revelam como estes minúsculos compostos inflamam silenciosamente as suas gengivas, danificam o tecido e podem remodelar a forma como tratamos a nossa saúde bucal.

A microbiota ORL Probióticos

Durante anos, dentistas e investigadores se concentraram nas bactérias “ruins” presentes nanossa boca, como a Porphyromonas gingivalis, consideradas as principais culpadas por doenças gengivais. No entanto, este novo estudo realizado pela Universidade de Kyushu, no Japão, revela que o dano real pode vir não apenas das próprias bactérias, mas dos produtos químicos que produzem. 1

Estes produtos químicos, chamados metabólitos, são pequenos subprodutos que os micróbios liberam à medida que se alimentam e crescem. Pense neles como pegadas químicas. E algumas dessas pegadas são tóxicas. Os investigadores descobriram que, quando esses metabólitos acumulam-se, podem irritar e até danificar as células que revestem as nossas gengivas, desencadeando uma inflamação que contribui para a doença periodontal.

20-50% As doenças periodontais afetam 20–50% da população global, tornando-as um grande problema de saúde pública no mundo todo. ³

O que é a doença periodontal?

A doença periodontal engloba condições inflamatórias que afetam os tecidos ao redor dos dentes. Começa como uma gengivite - gengivas vermelhas e inchadas que podem sangrar - e pode transformar-se em periodontite, levando à recessão gengival, à perda óssea e a uma mobilidade dentária. Os principais culpados incluem bactérias como a Porphyromonas gingivalis e a Treponema denticola. 2

Para além das bactérias: é o que fazem que importa

Para descobrir essas ligações, os investigadores colheram amostras da água utilizada para enxaguar a boca de dois grupos de pessoas: 24 com doenças gengivais e 22 indivíduos saudáveis. Este tipo de amostra fornece um retrato instantâneo do microbioma oral e da sua atividade, semelhante a uma "impressão digital de saliva".

Utilizaram ferramentas avançadas para identificar não apenas quais bactérias eram mais comuns no grupo de pessoas doentes, mas também quais metabólitos estavam presentes. Em seguida, pegaram 20 desses metabólitos e os testaram diretamente em células da gengiva humana no laboratório.

As  (sidenote: Células epiteliais gengivais São as células superficiais que formam o revestimento das gengivas e atuam como a primeira barreira contra a invasão microbiana na cavidade oral. )  são a primeira linha de defesa do hospedeiro no espaço subgengival onde a placa dentária se acumula. São utilizadas para replicar o que está a acontecer na boca.

Esta etapa permitiu que observassem não apenas associações, mas efeitos biológicos reais, oferecendo pistas importantes sobre quais compostos podem estar a alimentar os danos nas gengivas.

Os cientistas descobriram que vários dos metabólitos ligados à doença, especialmente a (sidenote: Homoserina Derivado de aminoácidos não comumente encontrados no metabolismo humano, mas produzido por certas bactérias. Pode ter efeitos pró-inflamatórios ou citotóxicos nos tecidos do hospedeiro, como o epitélio da gengiva. ) , o propionato, o succinato e a citrulina, demonstraram prejudicar o crescimento da célula hospedeira e promover a inflamação, elementos centrais para o desenvolvimento da periodontite. Estas substâncias não apenas instalavam-se ali, mas também retardaram ativamente o crescimento celular e desencadearam a liberação de (sidenote: Interleucina-8 (IL-8) Proteína de sinalização (citocina) liberada pelas células para atrair células imunes como neutrófilos para o local da infeção ou inflamação. Uma IL-8 elevada geralmente indica inflamações teciduais contínuas. ) , uma molécula essencial na resposta inflamatória do corpo.

Quer sabe algo ainda mais inesperado? A homoserina, um composto que não havia sido previamente associado adoenças orais, estava a ser produzido por alguns dos piores agressores bacterianos, incluindo a Prevotella intermedia e a P. gingivalis. Isto significa que estes micróbios não são apenas os "vilões" por associação, mas podem estar a produzir ativamente as toxinas que agravam doenças gengivais. Além disso, a presença destes metabólitos bacterianos é coerente com a (sidenote: Disbiose A "disbiose" não é um fenómeno homogéneo – varia em função do estado de saúde de cada indivíduo. É geralmente definida como uma alteração da composição e do funcionamento da microbiota, causada por um conjunto de fatores ambientais e relacionados com o indivíduo que perturbam o ecossistema microbiano. Levy M, Kolodziejczyk AA, Thaiss CA, et al. Dysbiosis and the immune system. Nat Rev Immunol. 2017;17(4):219-232. ) da microbiota subgengival, onde um desequilíbrio na placa dentária promove o início da doença.

O que é a microbiota periodontal?

A microbiota periodontal refere-se à comunidade de microrganismos residentes na área subgengival. As gengivas saudáveis hospedam uma mistura equilibrada de bactérias, mas na periodontite, espécies patogénicas como a P. gingivalis, a T. denticola e a Fusobacterium nucleatum predominam, interrompendo esse equilíbrio e promovendo a inflamação. 4

Então, o que tudo isso significa para si e para o seu dentista?

Esta perceção muda a atenção sobre a forma como espécies específicas contribuem para a inflamação oral, não apenas através da colonização, mas também através da atividade metabólica no ambiente dental subgengival. Durante muito tempo, o foco no tratamento de doenças gengivais tem sido bastante simples: encontrar as bactérias ruins e se livrar delas. É por esta razão que os tratamentos geralmente envolvem limpezas profundas, enxágues bucais antissépticos ou antibióticos, para eliminar os germes.

Mas este estudo nos mostra que o verdadeiro problema pode não ser apenas quais bactérias estão presentes na sua boca, mas o que estas bactérias estão a fazer.

Microrganismos: micróbios preciosos para a saúde humana

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Estes micróbios são como pequenas fábricas de produtos químicos. Alguns bombeiam substâncias que irritam e inflamam as gengivas, mesmo se as próprias bactérias não forem numerosas. Este elemento é muito importante. Significa que simplesmente matar as bactérias pode não ser suficiente, talvez seja necessário visar as substâncias nocivas que produzem.

Num futuro próximo, o seu dentista pode precisar não somene verificar se há placa bacteriana nos seus dentes, mas também testar a sua saliva para verificar a presença de tais produtos químicos prejudiciais e adaptar o seu tratamento com base no que foi observado no seu microbioma oral. Uma nova fronteira foi alcançada no atendimento odontológico personalizado com base no microbioma.

Como a periodontite é tratada?

O tratamento envolve a limpeza dentária profissional para remover a placa bacteriana e o tártaro, melhorar a higiene oral e, possivelmente, utilizar antibióticos para casos graves. A restauração de uma microbiota oral saudável pode incluir a toma de probióticos e mudanças no estilo de vida. Visitas regulares ao dentista são cruciais para a monitorização e a manutenção da sua saúde bucal. 5

Por que amostras de saliva e subgengivais são importantes

Embora a água utilizada para enxaguar a boca tenha sido analisada neste estudo, os investigadores observaram que as amostras de placa subgengival fornecem um quadro ainda mais preciso da microbiota nos locais da lesão, especialmente nos casos de periodontite. A combinação da análise microbiana e metabólica da placa subgengival pode, em breve, tornar-se um padrão essencial nos diagnósticos de saúde bucal.

A microbiota ORL

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Noticias

Alterações na microbiota em mulheres idosas

Como a microbiota afeta a saúde das mulheres com o envelhecimento? Da menopausa à longevidade, descubra como os microbiotas intestinal, vaginal, urinário e cutâneo evoluem com a idade e influenciam a digestão, a imunidade, o humor, a saúde óssea e muito mais. Saiba como a alimentação, o estilo de vida e os probióticos ajudam a manter o equilíbrio, aliviar os sintomas da menopausa e prevenir distúrbios relacionados à idade. Explore a ciência por trás da microbiota e do envelhecimento saudável em mulheres idosas.

O papel da microbiota no envelhecimento

À medida que envelhecemos, nossa microbiota evolui e desempenha um papel fundamental na nossa saúde. Preservar seu equilíbrio é essencial para um envelhecimento saudável, unindo longevidade e bem-estar. Alimentação, probióticos e estilo de vida são fatores que contribuem para um microbiota equilibrado e um envelhecimento com saúde.

Microbiota intestinal e alimentação

Como a microbiota intestinal impacta a saúde como um todo? Será que a alimentação, os probióticos ou os alimentos fermentados podem melhorar o equilíbrio da microbiota? Explore as pesquisas mais recentes sobre microbiota intestinal, disbiose e o papel da nutrição na prevenção de doenças.

Estilo de vida na terceira idade

Como a microbiota intestinal influencia o envelhecimento saudável e a longevidade? Estudos recentes revelam seu papel essencial na vitalidade dos idosos, desde dietas equilibradas até exercícios, sono e funcionamento do sistema imunológico. Explore as descobertas mais recentes para promover um envelhecimento com saúde.

Eixo intestino-cérebro

O eixo intestino-cérebro desempenha um papel fundamental no humor, na cognição e na saúde neurológica.

De enxaquecas ao Alzheimer, os desequilíbrios na microbiota afetam o bem-estar mental. Explore as pesquisas mais recentes sobre o eixo intestino-cérebro.

Microbiota e doenças crônicas

Como a microbiota afeta a saúde óssea, urinária e cerebral? De osteoporose à cistite e ao Alzheimer, as pesquisas revelam seu papel na imunidade, no envelhecimento e no desenvolvimento de doenças. Descubra como os microbiotas intestinal, vaginal e cutâneo contribuem para o bem-estar e a prevenção.

Distúrbios ósseos

A microbiota desempenha um papel fundamental na saúde óssea. Do equilíbrio intestinal à absorção de vitamina D, sua influência impacta diretamente a força dos ossos e pode ajudar na prevenção da osteoporose. As escolhas alimentares e de estilo de vida também afetam a microbiota, contribuindo ainda mais para a saúde dos ossos.

 

Distúrbios urinários 

Os microbiotas urinário e vaginal são essenciais para a saúde urogenital. Seu equilíbrio influencia infecções, incontinência e cistite. Pesquisas investigam seu papel nos distúrbios urinários e como os probióticos, a nutrição e o estilo de vida ajudam a manter essa estabilidade.

 

Doenças neurológicas

A microbiota intestinal pode influenciar doenças neurológicas como Alzheimer, Parkinson e até condições como humor e ansiedade Pesquisas emergentes revelam seu papel na saúde cerebral, desde o declínio cognitivo até condições como autismo, depressão e enxaquecas. Explore a conexão entre intestino e cérebro e seu impacto na saúde neurológica.

Outras condições

Como a microbiota influencia o câncer, a longevidade ou até mesmo a recuperação? Do intestino à pele, seu papel na imunidade, na inflamação e na resposta a medicamentos é fundamental. Descubra como os desequilíbrios da microbiota impactam a saúde dos idosos, desde diarreias infecciosas até a COVID-19.

Menopausa, alterações hormonais e saúde intestinal

Menopausa e microbiota: qual é a relação? As alterações hormonais da menopausa afetam os microbiotas intestinal, vaginal, oral, da bexiga e da pele  podendo desencadear inflamações, osteoporose ou infecções urinárias. Mas será que um microbiota equilibrado pode aliviar os sintomas, melhorar a resposta aos tratamentos e favorecer a recuperação? Explore as pesquisas mais recentes e as análises de especialistas.

Perimenopausa

As mudanças hormonais na perimenopausa afetam os microbiotas intestinal, vaginal e cutâneo, causando problemas digestivos, ressecamento e alterações na pele. Um microbiota equilibrado pode aliviar esses sintomas e favorecer uma transição mais suave para a menopausa. O que pode ser feito para apoiar esse equilíbrio?


 

Menopausa

A menopausa pode afetar os microbiotas intestinal, vaginal e oral? Um desequilíbrio na microbiota pode desencadear inflamações ou contribuir para o desenvolvimento da osteoporose? Com base em publicações científicas e nas análises de especialistas como Ina Schuppe, descubra as pesquisas mais recentes sobre o papel da microbiota durante a menopausa. Destaque para a fase de descoberta da menopausa e as transformações que ela envolve.

Pós-menopausa

Vivendo a pós-menopausa? Como aliviar os sintomas preservando o equilíbrio do seu microbiota? Do ressecamento vaginal às infecções urinárias e à saúde óssea, descubra o papel essencial dos microbiotas intestinal, vaginal e da bexiga nessa fase da vida. Explore os conhecimentos científicos sobre alimentação, probióticos e outros aliados para viver melhor com a menopausa.

Avanços na pesquisa

Como a menopausa impacta a microbiota? Qual é o papel dos microbiotas intestinal, vaginal e cutâneo no equilíbrio hormonal, no metabolismo e na saúde geral? Descubra as pesquisas mais recentes sobre a conexão entre menopausa e microbiota — e como essa relação influencia o bem-estar das mulheres.

Dia da Mulher na Ciência: quais são os seus temas de investigação em microbiota?

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O que as mulheres sabem (e o que não sabem)

sobre o seu microbiota vaginal

Qual é a relação entre microbiota e saúde das mulheres? O Observatório Internacional da Microbiota, com base em uma pesquisa realizada com 7.500 pessoas em 11 países, analisa o conhecimento, as percepções e os comportamentos das mulheres em relação aos seus microbiotas intestinal, vaginal e urinário. A edição de 2024 revela uma falta de conscientização global, um interesse crescente pelo papel da microbiota na saúde hormonal, digestiva e íntima, e uma forte demanda por mais prevenção, educação e apoio. Explore o relatório completo para descobrir os principais dados, destaques e o que as mulheres ao redor do mundo realmente sabem sobre o seu microbiota.

 

Descubra a pesquisa 2024 do Observatório Internacional de las Microbiotas

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Observatório Internacional das Microbiotas 2025 - Comunicado de imprensa

Momento microbiota: conscientizar e agir

CP_The International Microbiota Observatory 2025 PT

A microbiota é composta por biliões de microrganismos como bactérias, vírus, fungos, arqueias etc. Vive no nosso trato digestivo, na nossa pele, na nossa boca, no nosso nariz e nos nossos pulmões. Estes organismos desempenham um papel crucial no nosso bem-estar, ajudando a digestão, estimulando o nosso sistema imunitário e protegendo-nos contra doenças infeciosas. Mas além destas funções, a microbiota também influencia o nosso humor, o nosso metabolismo e até mesmo a nossa longevidade. Um desequilíbrio da microbiota, muitas vezes causado por fatores como dietas, o estilo de vida ou medicações, pode levar a grandes problemas de saúde, de distúrbios digestivos a problemas cardiovasculares e depressão. Manter uma microbiota saudável no nosso corpo é, portanto, essencial para a nossa saúde e bem-estar geral.

Pelo terceiro ano consecutivo, o Biocodex Microbiota Institute encomendou à Ipsos a realização de um inquérito internacional sobre a microbiota: o Observatório Internacional das Microbiotas. Quais são as tendências na conscientização sobre a microbiota? Os indivíduos adotaram mais comportamentos para proteger e preservar a sua microbiota este ano? Qual é a função dos profissionais de saúde na educação dos pacientes? Qual é a opinião das pessoas sobre o teste da microbiota? 

Este grande inquérito foi realizado pela Ipsos com 7500 pessoas em 11 países (EUA, Brasil, México, França, Alemanha, Itália, Portugal, Polónia, Finlândia, China e Vietname). Em cada país, foi entrevistada uma amostra representativa da população com 18 anos ou mais. A representatividade foi assegurada pelo método de quotas aplicado ao género, idade, região e ocupação do inquirido. O inquérito foi realizado online, no período de 21 de janeiro a 28 de fevereiro de 2025. 

Os resultados foram apresentados no dia 27 de junho de 2025, por ocasião do Dia Mundial do Microbioma.

Resultados de 2025: Observatório Internacional de Microbiotas

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"A conscientização sobre a microbiota é apenas o começo. Tomar medidas para preservar seu equilíbrio é o passo seguinte. Este ano, o Biocodex Microbiota Institute deu um passo adiante, transformando dados em ação. Em parceria com o Le French Gut, estamos traduzindo o conhecimento em engajamento público, capacitando cidadãos, pesquisadores e profissionais de saúde a trabalharem lado a lado para melhorar a saúde."

Olivier Valcke, Diretor - Biocodex Microbiota Institute

Sobre o Biocodex Microbiota Institute

O Biocodex Microbiota Institute é um centro internacional de conhecimento dedicado à microbiota. Este Instituto educa o público leigo e os profissionais de saúde sobre a importância da microbiota nos cuidados de saúde e bem-estar.

Contacto para imprensa do Biocodex Microbiota Institute

Olivier Valcke

Diretor do Biocodex Microbiota Institute
Comunicação Global Microbiota 
+33 6 43 61 32 58
o.valcke@biocodex.com 

Contacto para imprensa da Ipsos

Etienne Mercier

Diretor de Opinião e Saúde – Ipsos Public Affairs
+33 6 23 05 05 17
etienne.mercier@ipsos.com  

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Observatório Internacional das Microbiotas 2025 - Comunicado de imprensa

Momento microbiota: conscientizar e agir

CP_The International Microbiota Observatory 2025 PT

A microbiota é composta por biliões de microrganismos como bactérias, vírus, fungos, arqueias etc. Vive no nosso trato digestivo, na nossa pele, na nossa boca, no nosso nariz e nos nossos pulmões. Estes organismos desempenham um papel crucial no nosso bem-estar, ajudando a digestão, estimulando o nosso sistema imunitário e protegendo-nos contra doenças infeciosas. Mas além destas funções, a microbiota também influencia o nosso humor, o nosso metabolismo e até mesmo a nossa longevidade. Um desequilíbrio da microbiota, muitas vezes causado por fatores como dietas, o estilo de vida ou medicações, pode levar a grandes problemas de saúde, de distúrbios digestivos a problemas cardiovasculares e depressão. Manter uma microbiota saudável no nosso corpo é, portanto, essencial para a nossa saúde e bem-estar geral.

Pelo terceiro ano consecutivo, o Biocodex Microbiota Institute encomendou à Ipsos a realização de um inquérito internacional sobre a microbiota: o Observatório Internacional das Microbiotas. Quais são as tendências na conscientização sobre a microbiota? Os indivíduos adotaram mais comportamentos para proteger e preservar a sua microbiota este ano? Qual é a função dos profissionais de saúde na educação dos pacientes? Qual é a opinião das pessoas sobre o teste da microbiota? 

Este grande inquérito foi realizado pela Ipsos com 7500 pessoas em 11 países (EUA, Brasil, México, França, Alemanha, Itália, Portugal, Polónia, Finlândia, China e Vietname). Em cada país, foi entrevistada uma amostra representativa da população com 18 anos ou mais. A representatividade foi assegurada pelo método de quotas aplicado ao género, idade, região e ocupação do inquirido. O inquérito foi realizado online, no período de 21 de janeiro a 28 de fevereiro de 2025. 

Os resultados foram apresentados no dia 27 de junho de 2025, por ocasião do Dia Mundial do Microbioma.

Resultados de 2025: Observatório Internacional de Microbiotas

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"A conscientização sobre a microbiota é apenas o começo. Tomar medidas para preservar seu equilíbrio é o passo seguinte. Este ano, o Biocodex Microbiota Institute deu um passo adiante, transformando dados em ação. Em parceria com o Le French Gut, estamos traduzindo o conhecimento em engajamento público, capacitando cidadãos, pesquisadores e profissionais de saúde a trabalharem lado a lado para melhorar a saúde."

Olivier Valcke, Diretor - Biocodex Microbiota Institute

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O Biocodex Microbiota Institute é um centro internacional de conhecimento dedicado à microbiota. Este Instituto educa o público leigo e os profissionais de saúde sobre a importância da microbiota nos cuidados de saúde e bem-estar.

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Manuais de avaliação diagnóstica

Identifique rapidamente a síndrome do intestino irritável (SII) ou a dispepsia funcional (DF) com as nossas listas de verificação clínicas, desenvolvidas e validadas por profissionais de saúde reconhecidos. Estas ferramentas práticas, concebidas por especialistas, apoiam os profissionais de saúde a realizar diagnósticos precisos e eficazes, com base em critérios diagnósticos chave.

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Artigo Gastroenterologia Medicina geral

Rumo a um exposoma mais favorável

Há ainda um longo caminho a percorrer para se compreender e avaliar o impacto de todas as exposições ambientais na saúde humana.

A microbiota intestinal Perturbações de ansiedade

No entanto, os estudos preliminares sugerem que a microbiota, enquanto interface entre o nosso corpo e o mundo exterior, poderá desempenhar um papel fundamental. Eles mostram que:

  • A modernização dos nossos estilos de vida exerce impacto tanto sobre os ecossistemas como sobre a nossa saúde e a das nossas microbiotas; 
  • Um ambiente rico em micróbios diversificados desempenha um papel protetor;
  • Existe, logo no início da vida, uma janela de oportunidade onde a natureza das exposições pode predispor o organismo a doenças crónicas ou, pelo contrário, protegê-lo;
  • Existem formas simples (alimentação pouco processada e à base de vegetais, atividade física, sono de boa qualidade, contacto com a natureza, redução da utilização de produtos químicos e medicamentos, etc.) de se avançar para um exposoma que seja melhor para a nossa saúde.

Na prática

Embora não tenhamos controlo sobre a totalidade dos fatores aos quais nosso organismo se encontra exposto, algumas ações e hábitos simples podem ajudar a mitigar exposições nocivas e dar mais espaço às que nos protegem.

Alimentação 

  • Preferir alimentos crus, biológicos e da época (frutas, legumes, leguminosas, cereais integrais, etc.), ricos em fibras, vitaminas e sais minerais, e reduzir a quota de alimentos ultraprocessados (refeições prontas, carnes transformadas, bolachas de aperitivo, bolos industriais, doces, etc.).
  • Optar pelas aves de capoeira e limitar as outras carnes (porco, vaca, vitela, carneiro, borrego, miudezas) a 500 g por semana; alternar com alimentos que forneçam mais proteínas vegetais, por exemplo, leguminosas ou produtos de cereais integrais ou semi-integrais.

 

  • Evitar as águas engarrafadas, que são suscetíveis de conter microplásticos; preferir a água filtrada por um cartucho de carvão ativado ou por um sistema de osmose inversa, que parecem ser atualmente os mais eficazes para eliminar os “poluentes eternos” (PFAS) 1 .
  • Limitar a utilização de embalagens de plástico e de películas aderentes e utilizar produtos a granel e invólucros Bee Wrap (tecido revestido com cera de abelha) para cobrir as sobras e embrulhar os lanches.
  • Utilizar recipientes de vidro ou Pyrex (inertes) em vez de plástico, especialmente quando se aquece alimentos no micro-ondas. 
     

Microplásticos: atenção aos recipientes das refeições “pronto a comer” e ao seu impacto na microbiota!

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Higiene

Utilizar produtos o mais possível simples e sem perfume: óleos vegetais, hidrolatos, sabões naturais, cremes à base de produtos naturais com número limitado de ingredientes, etc. Existem aplicações (Yuka, INCI Beauty, QuelProduit, etc.) que permitem analisar os produtos e identificar os que contêm menos substâncias problemáticas. 

Saúde

  • Evitar a automedicação, principalmente no que respeita a antibióticos.
  • Devolver os medicamentos não utilizados à farmácia (evitar descartá-los no caixote do lixo ou no lava-loiças).

Antibióticos: que impacto na microbiota e na saúde?

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Casa

  • Para a limpeza, utilizar os produtos tradicionais (sabão de Marselha, vinagre, cristais de soda, etc.) e evitar os detergentes agressivos e perfumados e os amaciadores de roupa. 
  • Evitar a caça aos micróbios, excluindo a utilização de lixívia e de quaisquer produtos antimicrobianos em casa. 
  • Evitar as velas perfumadas, os ambientadores, os sprays, etc.
  • Evitar os móveis de aglomerado, os vernizes e as tintas, fontes de compostos orgânicos voláteis (COV), sobretudo nos quartos de bebé e de criança. 
  • Arejar os compartimentos 10 minutos por dia.

A minha família, os que vivem comigo, os meus vizinhos… e a minha microbiota

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Lazer, atividade física, gestão do stress

 

  • Limitar a utilização de ecrãs em favor de atividades de lazer artísticas, criativas e partilhadas (jogos, música, pintura, etc.)
  • Limitar o sedentarismo, integrando a atividade física na rotina diária: andar a pé, de bicicleta ou de patins mais vezes do que em transportes motorizados, subir as escadas em vez de usar o elevador, etc.
  • Optar por férias respeitadoras do ambiente, tanto em termos de actividades realizadas como de transporte.
  • Cuidar da saúde mental praticando técnicas de gestão do stress (meditação, respiração, coerência cardíaca) e aprendendo a abrandar, a ouvir-se a si próprio, a contemplar, a comunicar...

Microbiota e desporto: microrganismos de competição

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Atividade profissional

  • Informar-se sobre a exposição ocupacional a substâncias químicas (emissões de motores a gasóleo, sílica cristalina, amianto, etc.), agentes biológicos (bactérias, vírus ou bolores suscetíveis de provocar infeções, alergias ou intoxicações), agentes físicos (ruído, calor, frio, radiações, etc.) e stress (horário de trabalho, ritmo de trabalho, falta de recursos, tensões interpessoais, etc.);
  • Respeitar os conselhos de prevenção ocupacional.

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Prepare-se para o seu regresso ao trabalho através da sua microbiota

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O exposoma explicado pelo nosso especialista

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Do nascimento à morte, um exposoma com consequências diferentes para a nossa saúde

A nossa sensibilidade ao ambiente muda ao longo da vida. Desde a gestação, o expossoma molda a imunidade, influencia a microbiota do bebê e afeta seu risco futuro de desenvolver asma ou alergias. Na adolescência, ele impacta a saúde mental e da pele. Na vida adulta, interfere na inflamação e no bem-estar geral. Já entre os idosos, pode tanto preservar quanto comprometer a longevidade — como mostram os estudos sobre a microbiota de centenários.


Descubra como cada fase da vida interage com o expossoma

A microbiota intestinal Acne e microbiota Perturbações de humor Alergias alimentares

Primeiros 1.000 dias

Já há alguns anos que se sabe que os microrganismos da microbiota intestinal são essenciais para o desenvolvimento do sistema imunitário. Mas há outros mecanismos ligados à exposição precoce do feto e do bebé a fatores ambientais que poderão também estar envolvidos 1

Período perinatal

  • Gravidez: a microbiota materna (intestinal, cutânea, pulmonar e potencialmente placentária) parece ter efeitos significativos na maturação da função imunitária dos filhos. Um estudo, por exemplo, demonstrou que a exposição das mulheres grávidas a bactérias provenientes de estábulos reduzia o risco de os seus filhos sofrerem futuramente de asma. Existe também uma microbiota placentária, mais semelhante à microbiota oral da mãe do que à sua microbiota vaginal ou intestinal, que poderá desempenhar um papel neste processo de maturação.
  • Parto: os bebés nascidos por via vaginal são colonizados por micróbios semelhantes aos presentes na vagina da mãe. Têm também uma microbiota intestinal mais rica e diversificada do que as crianças nascidas de cesariana, o que implica um menor risco de asma.
  • Amamentação

Pensa-se que outros fatores do exposoma perinatal (tratamentos com antibióticos, amamentação, práticas alimentares, etc.) também estão envolvidos.
 

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O infográfico a seguir mostra como e quando a microbiota intestinal e o sistema imunológico são desenvolvidos e se tornam maduros

Bactérias minúsculas, grandes riscos: Como os micróbios vaginais influenciam a saúde na gravidez

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Primeira infância

Desde meados do século passado, a transição para estilos de vida mais abastados e para habitações mais modernas e “higiénicas” veio alterar a exposição humana aos micróbios. Essas alterações poderão predispor as crianças para doenças inflamatórias crónicas.


De facto, há fortes evidências de que a exposição precoce a populações microbianas ricas e diversificadas desempenha um papel protetor, desde que ocorra no início da vida. Fala-se de uma “janela de oportunidade”. 

Vários estudos demonstraram que, de forma contraintuitiva, a presença de animais de estimação, roedores, fungos ou bactérias no ambiente em que vivem os bebés e as crianças pequenas melhora a diversidade bacteriana da sua microbiota e pode protegê-los da asma

Cães e a microbiota da poeira na prevenção da asma: um golpe de mestre?

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Infância e adolescência 

O mérito da abordagem exposómica foi salientado por um estudo de 504 crianças com idades compreendidas entre os 6 e os 9 anos, que foram seguidas durante 8 anos. Os investigadores estudaram o impacto de várias exposições (alimentação, atividade física, sono, poluição atmosférica e estatuto socioeconómico) nos marcadores sanguíneos (metabolitos).

Pontuação do expossoma

Para cada criança, os investigadores calcularam uma “pontuação do exposoma” que reflecte o impacto global das várias exposições na saúde.

Os resultados revelam que esta pontuação está associada a 31 metabolitos, 12 dos quais não relacionados com qualquer exposição individual. Isto indica que as exposições ao ambiente e ligadas ao estilo de vida não exercem os seus efeitos fisiológicos de forma isolada.

Pelo contrário, há uma interação complexa entre as exposições externas e as respostas fisiológicas internas associadas.

Adicionalmente, uma pontuação mais elevada do exposoma encontra-se associada a níveis mais baixos de acetato, um (sidenote: Ácidos Gordos de Cadeia Curta (AGCC) Os Ácidos Gordos de Cadeia Curta são uma fonte de energia (carburante) das células do indivíduo, interagem com o sistema imunitário e estão envolvidos na comunicação entre o intestino e o cérebro. Silva YP, Bernardi A, Frozza RL. The Role of Short-Chain Fatty Acids From Gut Microbiota in Gut-Brain Communication. Front Endocrinol (Lausanne). 2020;11:25. ) que é produzido pela microbiota intestinal. E há estudos que sugerem que o acetato poderá desempenhar uma função benéfica na saúde metabólica, cardiovascular e neurológica.

A final, comer o catarro do irmão mais velho talvez não seja uma má ideia

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Acne

Um outro estudo, desta vez realizado com adolescentes, mostrou que numerosos fatores ligados ao estilo de vida (o consumo de leite desnatado e de suplementos de proteínas de soro de leite, como a proteína whey, o stress, os poluentes, a medicação, os fatores climáticos, etc.) tinham um impacto evidente no aparecimento e na gravidade da acne e na eficácia dos tratamentos.

Os produtos de cuidados da pele e os cosméticos, que integram o exposoma externo, são suscetíveis de ativar a inflamação e provocar o aparecimento da acne, alterando a barreira cutânea e o equilíbrio da microbiota da pele, promovendo a secreção sebácea, modificando os micróbios e ativando o sistema imunitário inato 3.  

Saúde mental

Sabe-se igualmente que, durante a adolescência, o stress, frequentemente muito mais intenso do que em outros períodos da vida – e o aumento da produção de androgénios (como a testosterona) podem modificar a microbiota e, por conseguinte, o eixo intestino-cérebro.

Existem estudos que sugerem que estas alterações no exposoma interno têm um potencial contributo para o aparecimento de doenças psiquiátricas, muitas das quais se manifestam pela primeira vez durante a adolescência 3.  

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Eixo intestino-cérebro: Qual é o papel da microbiota?

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Idade adulta  

É cada vez mais evidente que a microbiota intestinal tem participação em vários aspetos do bem-estar físico e mental. E que a sua estrutura e função dependem em grande parte dos estilos de vida. 

Embora o impacto do exposoma seja crucial no início da vida, sabe-se que seus efeitos nefastos podem prolongar-se pela idade adulta. Os hábitos alimentares ocidentais (carentes de frutas, legumes e cereais integrais e ricos em produtos de origem animal e alimentos ultraprocessados) podem, por exemplo, levar à degradação do biofilme e da barreira intestinal, tornando o intestino mais permeável. 

Isto, por sua vez, permite que pedaços de bactérias (endotoxinas ou lipopolissacáridos) entrem na corrente sanguínea, provocando uma inflamação crónica de baixo grau que pode ter consequências metabólicas e comportamentais negativas. Pelo contrário, uma dieta rica em fibras e fitoquímicos de plantas pode promover a diversidade microbiana e reduzir o stress oxidativo, bem como a carga inflamatória. 

Uma alimentação desequilibrada, associada ao stress, à falta de contacto com a natureza, a um ambiente pobre em micróbios e à falta de atividade física ao ar livre, pode também conduzir a uma alteração da diversidade microbiana das microbiotas intestinal e cutânea. Ora uma microbiota menos diversificada significa disfunções imunitárias e inflamações crónicas, que podem afetar todos os nossos órgãos e constituir um terreno fértil para as doenças crónicas.  

Como manter uma microbiota saudável?

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Nos idosos

O avanço na idade está geralmente associado a uma alteração da microbiota intestinal. Com o passar do tempo, esta tende a perder sua diversidade e equilíbrio (disbiose), contribuindo assim para uma acentuação dos processos inflamatórios e para um aumento da suscetibilidade às doenças que fragilizam os idosos. 

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Pelo contrário, a manutenção de uma microbiota equilibrada ao longo do tempo contribui para o bom funcionamento do metabolismo e do sistema imunitário, bem como para a manutenção da saúde cardíaca, óssea e cognitiva

 

Embora as causas das alterações da microbiota com o avançar da idade ainda estejam a ser investigadas, o estudo da microbiota de centenários indica-nos que certos fatores do exposoma podem estar em jogo. 

Os hábitos alimentares, em particular a adoção da dieta mediterrânica (rica em fibras e antioxidantes), apresentam, por exemplo, correlação com as espécies microbianas intestinais associadas à longevidade 8,7.  Manter a atividade física, não fumar e dispor de condições de trabalho satisfatórias também pode desempenhar um papel.

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