Alergias: o papel da vida in utero

Mesmo antes do nascimento da criança, a sua vida in utero poderá determinar o risco de ela vir a sofrer de alergias. Como? Através de um mecónio menos rico, o qual afetará o desenvolvimento da sua microbiota intestinal e, em última instância, do seu sistema imunitário.

Rinite alérgica Asma e microbiota Eczema alérgico Alergias alimentares

Se há quem leia o futuro nas borras de café, os investigadores estão a começar a prever o risco de alergias no (sidenote: Mecónio Primeira matéria fecal eliminada por um recém-nascido, contendo o líquido amniótico absorvido no útero. O mecónio ajuda a identificar os microrganismos que revestem o trato gastrointestinal do feto. ) , as primeiras fezes dos bebés semelhantes ao alcatrão. Eczemas, alergias alimentares, asma, rinite alérgica: quase 1 em cada 3 crianças hoje atualmente de alergias. No entanto, muitas coisas poderão acontecer antes mesmo do nascimento. Daí a ideia dos investigadores de estudar o mecónio que começa a formar-se ainda no útero materno, a partir da 16ª semana de gestação.

Fundo alérgico desde a gravidez?

Os seus resultados suportam a ideia de que o estabelecimento da alergia começa muito antes dos seus primeiros sintomas: assim, a partir dos 3 meses, os bebés futuramente com alergias apresentam uma microbiota intestinal menos diversificada e menos madura. Por isso, os investigadores foram estudar o que existe a montante, as primeiras fezes, o famoso mecónio. Constataram no mecónio o mesmo que aos três meses: uma menor diversidade de bactérias presentes, e uma diversidade reduzida nas moléculas produzidas por esses microrganismos. 

O aparecimento de uma alergia poderá, portanto, explicar-se pelo seguinte mecanismo: durante a gravidez, fatores ambientais que favorecem a alergia poderão modificar a composição do mecónio, que surge menos rico em metabolitos no nascimento. Como as primeiras bactérias a colonizar o tubo digestivo do bebé se alimentam desses metabolitos, o mecónio menos rico corresponde a uma perda de diversidade e de maturação da microbiota no início da vida. 

Prevenir... e prever?

As consequências destas descobertas são múltiplas. Por um lado, os investigadores esperam um dia conseguir prevenir tais alergias. Isso implicará uma melhor compreensão não apenas daquilo que afeta in utero a composição do mecónio, mas também de como os diferentes metabolitos do mecónio influenciam a colonização bacteriana nos recém-nascidos. Por outro lado, esperam ser capazes de vir a prever o risco de alergias, baseando-se na composição do mecónio no recém-nascido. Enquanto se aguarda, só é possível recomendar que as mulheres grávidas adotem um estilo de vida saudável durante a gravidez.

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Um novo marcador inesperado para prever a evolução do cancro da próstata: a microbiota intestinal

De acordo com um novo estudo publicado na Cancer Science, a composição da microbiota intestinal poderia ser utilizada como marcador de risco elevado do cancro da próstata.

Depois de ter demonstrado que as bactérias intestinais e os seus metabólitos (ácidos gordos de cadeias curtas AGCC) favorecem o crescimento das células cancerígenas nos modelos de murina de cancro da próstata, os investigadores deste novo estudo quiseram aprofundar a ligação entre a microbiota intestinal (MI) e o prognóstico de cancro da próstata no homem. E os resultados são, no mínimo, surpreendentes…

Uma coorte "descoberta" e outra de "teste" 

Foram incluídos no estudo 152 homens japoneses sujeitos a uma biópsia da próstata (96 positivos e 56 negativos) e distribuídos aleatoriamente por duas coortes: a coorte "descoberta" (114 pacientes) e a coorte de "teste" (38 pacientes). Em cada coorte foram estabelecidos dois grupos de comparação: um grupo grave (homens com cancro da próstata de grau 2 ou mais) e um grupo negativo/grau 1 (homens com biópsia negativa ou cancro da próstata de grau 1). As amostras foram recolhidas durante o toque retal antes do tratamento com antibióticos profiláticos e da biópsia da próstata. A composição da microbiota intestinal foi determinada por sequenciação do gene de ARNr 16S.

Bactérias específicas abundantes assinalam a gravidade

Embora não tenha sido observada nenhuma diferença significativa da diversidade bacteriana entre os grupos de pacientes, três táxons bacterianos (Rikenellaceae, Alistipes e Lachnospira) eram mais abundantes nos pacientes com cancro da próstata grave. O estado metastático dos pacientes, por seu lado, não estava ligado à presença destas bactérias. Os dados microbianos também foram utilizados para prever os perfis funcionais das microbiotas dos pacientes: (sidenote: Metabolismo do amido e da sacarose, biossíntese dos fenilpropanoides, biossíntese da fenilalanina, da tirosina e do triptofano, metabolismo dos aminoácidos ciano e metabolismo da histidina )  eram mais frequentes nos pacientes com cancro da próstata grave.

Rumo a um índice microbiano fecal da próstata? 

Em seguida, os investigadores avaliaram se os perfis microbianos permitiam identificar os pacientes com cancro da próstata de risco elevado na coorte de "teste". As três bactérias identificadas anteriormente não permitiram, por si só, distinguir os homens com cancro da próstata grave. Utilizando o modelo de regressão LASSO, puderam ser identificadas 18 unidades taxonómicas operacionais (OTU) suplementares. Estes grupos bacterianos estavam fortemente associados (positiva ou negativamente) a um cancro da próstata de risco elevado na coorte "descoberta" e foram utilizados para criar um índice microbiano fecal da próstata (FMPI — Fecal Microbiome Prostate Index). Na coorte de "teste", este FMPI não só era significativamente mais elevado nos pacientes com cancro da próstata grave (P < 0,001) como permitia detetar estes pacientes com um rigor mais importante do que a dosagem tradicional do PSA (antigénio específico da próstata) no sangue. 

Embora estes resultados sejam muito encorajadores, a coorte de estudo era composta apenas por homens japoneses residentes em zona urbana e com um estilo de vida semelhante. Para corroborar estes primeiros resultados, é conveniente alargar o campo da investigação a outras populações.

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Transplante de microbiota fecal: um novo tratamento para a síndrome do intestino irritável?

Um novo estudo demonstra que o transplante de microbiota fecal contribui para a melhoria dos sintomas da síndrome do intestino irritável e da qualidade de vida dos pacientes, inclusivamente um ano após o tratamento. No entanto, é essencial que o dador seja saudável. 

A microbiota intestinal Doenças gastrointestinais funcionais Transplante fecal
SII

Dores, cãibras, flatulência, diarreia, obstipação, etc. A síndrome do intestino irritável é uma doença que se manifesta por um conjunto de sintomas abdominais que aparecem e desaparecem ao longo da vida do paciente. Estes sintomas podem ser exacerbados pelo stress, por alterações emocionais ou pela ingestão de determinados alimentos e alteram significativamente a qualidade de vida do paciente. Se não existir nenhum problema anatómico ou estrutural no intestino das pessoas que sofrem desta síndrome, muitas vezes, equaciona-se a possibilidade de esta estar relacionada com problemas a nível da microbiota intestinal

Um dador único com uma supermicrobiota?

Os investigadores deste estudo testaram através de um ensaio clínico a eficácia de um transplante de microbiota fecal com recurso a uma amostra de fezes de um único homem caucasiano de 36 anos1 que satisfazia todos os requisitos de um “superdador”: pessoa saudável com IMC normal que faz exercício físico com regularidade, nasceu de parto natural e foi amamentada. Além disso, este homem não tomava nenhum medicamento, não foi tratado com antibióticos mais do que três vezes ao longo da sua vida e tomava regularmente suplementos alimentares. Neste ensaio clínico, o transplante de microbiota fecal revelou-se eficaz nos pacientes que sofrem de síndrome de cólon irritável. No entanto, estes resultados apenas foram observados 3 meses após o transplante e há muitas questões a que falta dar resposta (por exemplo, ainda não se sabe se o efeito clínico do transplante se mantém a longo prazo). Durante um estudo em curso, os investigadores continuaram a acompanhar estes pacientes durante um ano. 

Benefícios sempre presentes após 1 ano 

A maioria dos pacientes que reagiram ao transplante de microbiota fecal após 3 meses mantiveram a reação após 1 ano. O facto de os seus sintomas abdominais, fadiga e qualidade de vida terem melhorado substancialmente em relação aos 3 meses após o transplante é outro resultado encorajador. Ainda melhor, entre 32 e 45% dos pacientes (consoante os grupos) tiveram uma remissão completa durante o ano em que foram acompanhados. A análise completa da microbiota intestinal dos pacientes demonstrou a existência de alterações a nível do perfil bacteriano intestinal e de uma diminuição significativa do índice de disbiose.

Em suma, o transplante de microbiota fecal de um “superdador” permite restabelecer a microbiota intestinal e diminuir os sintomas dos pacientes que sofrem de síndrome do intestino irritável. 

 

1. El- Salhy M, Hatlebakk JG, Gilja OH, et al. Efficacy of faecal microbiota transplantation for patients with irritable bowel syndrome in a randomised, double- blind, placebo- controlled study. Gut. 2020;69(5):856- 867.

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Já ouviu falar de “disbiose”?

A disbiose é uma rutura do equilíbrio delicado entre os milhares de milhões de micro-organismos da microbiota humana e das suas boas relações com o nosso corpo. Genética, alimentação desequilibrada, antibióticos, etc. Há vários fatores causadores de disbiose, sendo esta, na maioria das vezes, causada por múltiplos fatores. Hoje em dia, a investigação científica demonstra que a disbiose da microbiota intestinal (a mais estudada), bem como a das nossas outras microbiotas, como a do sistema vaginal, cutâneo ou pulmonar, está associada a diferentes doenças, desde a síndrome do colón irritável até às disfunções metabólicas, como a obesidade, ou até à sinusite crónica e ao eczema. Como é que a microbiota pode ficar desequilibrada? Quais são as consequências de uma disbiose para a nossa saúde? Como podemos restabelecer o equilíbrio da microbiota?

Passamos a explicar.

O que é a disbiose?

Primeiro, olhemos para a própria palavra: “disbiose”. A etimologia deste termo científico é realmente muito simples! Em grego, a palavra bios significa “vivo” e o prefixo dis- significa “mau”.

Pode definir-se “disbiose” como uma alteração na composição e função da microbiota. Esta alteração resulta de uma combinação de fatores ambientais e de fatores específicos de cada pessoa1.

À medida que os micro-organismos colonizam todo o nosso corpo, é possível observar uma disbiose na:

  • Microbiota intestinal: várias doenças foram associadas à disbiose intestinal: diarreia associada a antibióticos14, gastroenterite17, cólica infantil44
  • Microbiota da pele: a disbiose é frequentemente associada a condições patológicas (acne45, dermatite atópica46)
  • Microbiota vaginal: a disbiose vaginal está associada à vaginose bacteriana1, à candidíase47, à fertilidade reduzida48 ou a um risco acrescido de parto prematuro1
  • Microbiota ORL (otorrinolaringológica): várias doenças podem estar associadas ao desequilíbrio da microbiota oral, auricular ou nasofaríngea
  • A microbiota pulmonar: a disbiose pode contribuir para o desenvolvimento de infeções respiratórias de inverno49, asma50 e fibrose quística51
  • A microbiota urinária: estudos publicados demonstraram que a microbiota urinária pode desempenhar uma função nas infeções do trato urinário52

A disbiose na ordem do dia: a microbiota intestinal 

A nossa microbiota intestinal é a principal microbiota do corpo humano 2. Alberga, pelo menos, 1000 espécies diferentes 3 de micro-organismos, nomeadamente bactérias, fungos e vírus. Os grupos dos Firmicutes (que inclui os lactobacilos, que são “bactérias boas” bastante conhecidas) e dos Bacteroidetes representam, no seu conjunto, 70% a 90% da comunidade bacteriana do nosso intestino 2-4. A nossa microbiota também contém Actinobacteria, das quais fazem parte as bifidobactérias, que são famosas pelos benefícios que proporcionam. Há outros micro-organismos da nossa microbiota que nos podem deixar doentes: são os chamados agentes “potencialmente patogénicos", mas são uma minoria 2. A disbiose traduz-se por um ou mais dos fenómenos abaixo:

  • As proporções entre estas grandes famílias de bactérias modificam-se significativamente, havendo nomeadamente uma perda de lactobacilos e bifidobactérias 5;
  • Os micro-organismos úteis que costumam viver na nossa microbiota (micro-organismos “comensais”) diminuem ou desaparecem 1.
  • A diversidade dos micro-organismos presentes na microbiota fica mais pobre, ou seja, a microbiota fica com menos espécies diferentes 5.
  • Os micro-organismos potencialmente patogénicos da microbiota proliferam1,5.

Por conseguinte, a nossa microbiota fica mais frágil e as bactérias “más” prevalecem sobre as “boas” 2. Desta forma, a microbiota protege menos o nosso organismo contra as agressões e assegura as suas funções essenciais para a nossa boa forma e saúde de maneira menos eficaz 1,6.

1000 Alberga, pelo menos, 1000 espécies diferentes de micro-organismos.

O que é uma disbiose?

Embora a disbiose não seja considerada uma doença por si só, foi associada a vários problemas de saúde e pode contribuir para o desenvolvimento ou agravamento de determinadas condições médicas.

Desequilíbrios da microbiota próprios de cada pessoa

No entanto, a disbiose não é um termo universal que se pode aplicar a todos e em todas as circunstâncias!1 Na verdade, é influenciada pelos nossos genes e pelos micro-organismos (definição: organismos vivos que são demasiado pequenos para se ver a olho nu, que incluem, entre outros, bactérias, vírus, fungos, arqueia, protozoários e que costumam ser chamados “ (sidenote: https://microbiologysociety.org/why-microbiology-matters/what-is-microbiology.html ) ”) que colonizaram o nosso corpo nos nossos primeiros anos de vida. A composição da nossa microbiota é pessoal e varia tanto de uma pessoa para outra que pode inclusivamente ser específica de cada pessoa tal como uma impressão digital.7 Contudo, também pode evoluir consoante a nossa idade, o nosso estado de saúde, o nosso nível de stress, a nossa alimentação, o local onde vivemos, os medicamentos que tomamos, entre outros.8 Desta forma, cada um de nós pode ter a “sua” disbiose quando a nossa microbiota se desequilibra e deixa de funcionar corretamente no nosso organismo.1

Mas então o que é uma microbiota equilibrada?

O prefixo dis- de disbiose é o oposto de eu- (“bom”) ou de sim- (“com”).  Como tal, falamos de “eubiose” ou de “simbiose” quando a nossa microbiota está de boa saúde, ou seja, quando ela interage de forma harmoniosa com o nosso organismo e quando a sua comunidade microbiana está equilibrada.1

Na verdade, os milhares de milhões de micro-organismos que compõem a nossa microbiota e habitam no nosso corpo beneficiam-se mutuamente.9 Cada um tira proveito do que precisa. O organismo fornece alimento e abrigo aos micro-organismos da microbiota, e estes, por sua vez, contribuem para diferentes funções importantes do nosso corpo como a digestão, a absorção de nutrientes, a proteção da impermeabilidade da parede intestinal e a luta contra os germes indesejáveis.2,8,10 É um verdadeiro trabalho de equipa! 

Os diferentes micro-organismos da comunidade da nossa microbiota, incluindo os potenciais agentes patogénicos, estão presentes em número e proporções adequadas para coabitarem pacificamente e assegurarem as funções benéficas para o organismo. No entanto, o equilíbrio frágil entre ecossistemas microbianos do nosso corpo pode entrar em rutura. Quando isto acontece, a eubiose converte-se em disbiose.8

O que provoca uma disbiose?

Tal como indica a sua definição, a disbiose aparece como resultado de diferentes fatores muito diferentes e, muitas vezes, correlacionados5. Podemos, contudo, distinguir:

os que estão associados à própria pessoa, tais como: 

  • a genética;1 
  • a idade;11
  • alguns problemas de saúde e lesões;1

os que estão associados ao contexto da pessoa, tais como:

  • a toma de medicamentos (antibióticos, anti-inflamatórios, etc.);2,5
  • as infeções;12
  • o estilo de vida: alimentação desequilibrada ou mudanças a nível alimentar, stress, tabagismo, higiene inadequada, etc.;1, 5,8
  • a poluição.8

O que pode causar uma disbiose?

Nos antibióticos: insubstituíveis, mas disruptores da microbiota

Os antibióticos foram um dos progressos terapêuticos mais importantes do século XX. Desde a descoberta da penicilina em 1928, estes medicamentos permitiram salvar milhões de vidas.13 No entanto, como destroem não só os germes nocivos, mas também as bactérias “boas”, os antibióticos desequilibram a microbiota. A curto prazo, a disbiose resultante da toma de antibióticos pode manifestar-se sob a forma de diarreia14 ou micose vaginal.15 Também se suspeita de que a disbiose intestinal induzida por antibióticos tem um impacto a longo prazo, nomeadamente quando se tomam antibióticos durante a infância, contribuindo para o aumento do risco de aparecimento de diferentes doenças crónicas como a obesidade ou alergias.16

Nas infeções: quando os micróbios atacam

Quando há infeções como as gastroenterites virais ou intoxicações alimentares por salmonela, os germes nocivos e ofensivos invadem a microbiota. Estes germes não têm origem na microbiota, mas sim no exterior, sendo transmitidos, por exemplo, por mãos ou alimentos contaminados. Estas infeções desencadeiam reações fortes do nosso sistema imunitário, inflamações intestinais e diarreia. Por sua vez, tudo isto provoca perturbações abruptas do equilíbrio da nossa flora intestinal. Além disso, os micróbios que causam estas infeções podem promover o desenvolvimento de outras bactérias potencialmente patogénicas que já estão presentes na microbiota. Desta forma, as infeções provocam disbioses com as quais todos os germes nocivos beneficiam. 1,12,17,18

Na alimentação: o equilíbrio da microbiota no nosso prato

O que comemos afeta a nossa microbiota ao longo da nossa vida. As grandes mudanças alimentares (a nível de composição ou quantidade) podem desencadear uma disbiose. Mas isto não é tudo. Se as variações normais das nossas ementas de um dia para o outro só provocarem mudanças transitórias da microbiota, o nosso tipo de alimentação pode mudar de forma duradoura o ecossistema digestivo5 e contribuir para o aparecimento de disbiose no futuro. Desta forma, estudos sugerem que a dieta “ocidental” rica em gordura, açúcar e proteína promove o desequilíbrio da microbiota intestinal, ao passo que uma alimentação variada e rica em fruta e legumes pode protegê-la.1,19

Antibióticos

Salvaram milhões de vidas, mas a sua utilização excessiva e inadequada suscitou agora sérias preocupações para a saúde, nomeadamente com a resistência aos antibióticos e a disbiose microbiota. Todos os anos, a OMS organiza a Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM (WAAW) para aumentar a consciência sobre a resistência antimicrobiana. Vamos ver esta página. 

Antibióticos: que impacto na microbiota e na saúde?

Saber mais
O que é a Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM?

Todos os anos, desde 2015, a OMS organiza a Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM (WAAW), que tem como objetivo aumentar a sensibilização para a resistência antimicrobiana mundial.

A resistência antimicrobiana ocorre quando as bactérias, vírus, parasitas e fungos alteram-se com o tempo e já não respondem aos medicamentos. Como resultado da resistência aos medicamentos, os antibióticos e outros medicamentos antimicrobianos tornam-se ineficazes e as infeções tornam-se cada vez mais difíceis ou impossíveis de tratar, aumentando o risco de propagação de doenças, doenças graves e morte.

Realizada entre 18 e 24 de novembro, esta campanha incentiva o público em geral, os profissionais de saúde e os decisores a utilizar cuidadosamente antibióticos, antivirais, antifúngicos e antiparasíticos, de forma a evitar o surgimento futuro de resistência antimicrobiana. 

Para cada microbiota, uma disbiose e patologias próprias

A disbiose: causa ou consequência de uma doença?

Vários estudos que compararam as microbiotas de pessoas saudáveis e doentes demonstraram que a disbiose está associada a diversas patologias crónicas — não só a doenças intestinais como a síndrome do cólon irritável ou a Doença de Crohn, como também à obesidade, às alergias, à asma e a alguns cancros1.  Mas será a disbiose que provoca a doença ou a doença que dá origem à disbiose? Para os cientistas, a resposta a esta pergunta nem sempre é evidente, mas é objeto de várias investigações em curso.

Para esclarecer esta questão, em 2019, os investigadores deram início ao Homo symbiosus, um grande projeto de investigação que tem como objetivo determinar melhor a forma e o motivo pelo qual há tantas doenças crónicas associadas à disbiose intestinal. Os investigadores colocaram a hipótese de que “todos estes fenómenos de disbiose intestinal, proliferação microbiana, inflamação e enfraquecimento da parede intestinal se provocam mutuamente”10.

A disbiose da microbiota intestinal está associada a diversas doenças, incluindo condições digestivas, metabólicas22, alérgicas23 e até mentais24. Contudo, o corpo humano abriga também ecossistemas microbianos específicos na pele25, no trato urinário26, na vagina27, na boca28 e nos pulmões29, cuja composição pode ficar desequilibrada e associada a doenças específicas.

Como podemos restabelecer o equilíbrio da microbiota?

Normalmente, após um episódio de disbiose, a microbiota consegue recuperar naturalmente o seu equilíbrio inicial (embora nunca recupere totalmente a sua composição inicial). Quando isto acontece, dizemos que a microbiota é “resiliente”30. Contudo, por vezes, esta “rebiose”, ou seja, a recuperação do equilíbrio microbiano, pode demorar algum tempo. Por exemplo, mesmo num adulto saudável, a rebiose pode ocorrer seis meses após a toma de um antibiótico31. Acontece que a disbiose pode acabar por provocar um estado de desequilíbrio que se vai perpetuar e autossustentar de forma duradoura sem se conseguir restabelecer completamente, o que pode ser prejudicial para a saúde1.

O que se deve fazer perante uma disbiose? Há muitas soluções à nossa disposição para restabelecer o equilíbrio de uma microbiota e melhorar a saúde.

Observatório Internacional de Microbiotas

Descubra os resultados de 2023
Os probióticos: micro-organismos benéficos de reforço

Os probióticos são “micro-organismos vivos que, quando são administrados em quantidades adequadas, beneficiam a saúde do hospedeiro”.32,33 Pode clicar aqui para aceder a uma página com informações sobre probióticos, o seu funcionamento e fabrico, a forma como os pode escolher corretamente, entre outros. Visite a nossa página dedicada aos probióticos.

Os prebióticos: para sustentar a nossa microbiota

Os prebióticos provêm principalmente das fibras alimentares (fruto-oligossacarídeos, galacto-oligossacarídeos, inulina, etc.) e são substratos ou elementos nutritivos indigeríveis que são utilizados pelos micro-organismos da microbiota e que afetam positivamente a saúde.34,35 Pode clicar aqui para obter mais informações sobre a forma como afetam a microbiota. Os produtos específicos que combinam probióticos e prebióticos chamam-se produtos simbióticos.36,37

Uma alimentação saudável para manter um bom funcionamento

O que comemos, bem como a qualidade e diversidade dos alimentos que ingerimos, não só contribuem para o equilíbrio da nossa microbiota intestinal,38-39 como também influenciam a sua composição e, por conseguinte, conduzem ao aparecimento de algumas doenças22. Não hesite em contactar o seu médico de clínica geral e/ou o seu dietista para conhecer melhor os alimentos com efeitos benéficos ou nocivos para manter os seus intestinos na melhor forma 40  e manter-se saudável!

Transplante de microbiota: uma técnica promissora

Tal como acontece com alguns órgãos do corpo humano, a microbiota pode ser transplantada noutra pessoa para se tentar restabelecer o equilíbrio do seu ecossistema microbiano.41,42 Atualmente, esta abordagem terapêutica está bem documentada para a microbiota intestinal, sendo conhecida como transplante de microbiota fecal (TMF), mas apenas se permite a sua aplicação no tratamento de infeções recorrentes por Clostridioides difficile.41 Ainda assim, é objeto de investigação intensiva para outras patologias intestinais.41 No âmbito vaginal, o transplante de microbiota vaginal (TMV) está em estudo e pode representar uma opção promissora para o tratamento da vaginose bacteriana refratária ou recorrente.41 Os estudos sobre transplantes de microbiota cutânea ainda são raros, mas os primeiros resultados são promissores.44,45

"Informativo" -Peggy Rhinelander (Da My health, my microbiota)


"É absolutamente fascinante a forma como a disbiose revela as ligações ocultas entre a nossa saúde e o microbiota!" -Aware Health Rewards App (Da My health, my microbiota)

Fontes

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35. Swanson, K.S., Gibson, G.R., Hutkins, R. et al. The International Scientific Association for Probiotics and Prebiotics (ISAPP) consensus statement on the definition and scope of synbiotics. Nat Rev Gastroenterol Hepatol 17, 687–701 (2020).

36. Tap J, Furet JP, Bensaada M, et al. Gut microbiota richness promotes its stability upon increased dietary fibre intake in healthy adults. Environ Microbiol. 2015 Dec;17(12):4954-64.

37. Quigley EMM, Gajula P. Recent advances in modulating the microbiome. F1000Res. 2020;9:F1000 Faculty Rev-46. Published 2020 Jan 27.

38. Wilson AS, Koller KR, Ramaboli MC, et al. Diet and the Human Gut Microbiome: An International Review. Dig Dis Sci. 2020;65(3):723-740. 

39. Zallot, Camille Transplantation de microbiote fécal et pathologies digestives,  La Lettre de l'Hépato-gastroentérologue, Vol. XXI -n° 1, janvier-février 2018.

40. Cammarota G, Ianiro G, Tilg H, et al. European consensus conference on faecal microbiota transplantation in clinical practice. Gut. 2017;66(4):569-580.

41. Lev-Sagie A, Goldman-Wohl D, Cohen Y, et al. Vaginal microbiome transplantation in women with intractable bacterial vaginosis. Nat Med. 2019;25(10):1500-1504.

42. Myles IA, Earland NJ, Anderson ED, et al. First-in-human topical microbiome transplantation with Roseomonas mucosa for atopic dermatitis. JCI Insight. 2018;3(9):e120608.

43. Zhou H, Shi L, Ren Y, et al. Applications of Human Skin Microbiota in the Cutaneous Disorders for Ecology-Based Therapy. Front Cell Infect Microbiol. 2020;10:570261

44. Rhoads JM, Collins J, Fatheree NY, et al. Infant Colic Represents Gut Inflammation and Dysbiosis. J Pediatr. 2018 Dec;203:55-61.e3.

45. Bowe W, Patel NB, Logan AC. Acne vulgaris, probiotics and the gut-brain-skin axis: from anecdote to translational medicine. Benef Microbes. 2014;5(2):185-199.

46. Totté JEE, Pardo LM, Fieten KB et al. Nasal and skin microbiomes are associated with disease severity in paediatric atopic dermatitis. Br J Dermatol. 2019 Oct;181(4):796-804.

47. Amabebe E, Anumba DOC. The Vaginal Microenvironment: The Physiologic Role of Lactobacilli. Front Med (Lausanne). 2018 Jun 13;5:181.

48. Younes JA, Lievens E, Hummelen R, et al. Women and Their Microbes: The Unexpected Friendship. Trends Microbiol. 2018 Jan;26(1):16-32.+

49. Dumas A, Bernard L, Poquet Y, et al. The role of the lung microbiota and the gut-lung axis in respiratory infectious diseases. Cell Microbiol. 2018 Dec;20(12):e12966.

50. Budden KF, Shukla SD, Rehman SF, et al. Functional effects of the microbiota in chronic respiratory disease. Lancet Respir Med. 2019 Oct;7(10):907-920.

51. Hardouin P, Chiron R, Marchandin H, et al. Metaproteomics to Decipher CF HostMicrobiota Interactions: Overview, Challenges and Future Perspectives. Genes (Basel). 2021 Jun 9;12(6):892.

52. Horwitz D, McCue T, Mapes AC, et al. Decreased microbiota diversity associated with urinary tract infection in a trial of bacterial interference. J Infect. 2015 Sep;71(3):358-367.

 

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Resistência aos antibióticos: curiosos “souvenirs” relatados de viagens exóticas

Um avanço médico formidável que é vítima do seu sucesso. Depois da sua descoberta, no início do século XX, os antibióticos salvaram milhões de vidas. Mas a utilização massiva e, às vezes inadequada, destes tratamentos tornam-nos cada vez mais ineficazes para tratar as infeções. Resultados: hoje, numerosas bactérias são resistentes! Porém, o uso excessivo ou inadequado não é o único responsável por esta antibiorresistência.

Um estudo1 revela que as viagens internacionais favorecem a aquisição de genes de resistência aos antibióticos e poderiam contribuir para a propagação da antibiorresistência. Embarque imediato para algumas explicações.

Todos os anos, desde 2015, a Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM (WAAW) sensibiliza-nos relativamente ao aumento da resistência aos (sidenote: Antibiorresistência Fala-se de resistência aos microrganismos uma vez que as bactérias, os vírus, os fungos e os parasitas não respondem mais aos medicamentos devido à sua evolução no tempo. Os antibióticos e outros medicamentos antimicrobianos perdem a sua eficácia e as infeções tornam-se cada vez mais difíceis ou mesmo impossíveis de combater. Esta resistência aos microbianos aumenta o risco de propagação da forma grave da doença ou mesmo da morte. A antibiorresistência corresponde à resistência dos antibióticos às bactérias. Fonte: Résistance aux antimicrobiens. 26 de outubro de 2020. )  (também chamada de antibiorresistência). Este fenómeno, associado ao mau uso ou a um consumo excessivo de antibióticos, designa a capacidade de uma bactéria resistir à ação do antibiótico. Desde 2020, a WAAW ampliou o alcance da sua campanha aos (sidenote: Antimicrobianos Medicamentos - como os antibióticos, os antivirais, os antifúngicos e os antiparasitários - que são utilizados para prevenir e tratar infeções nos seres humanos, nos animais e nos vegetais. WHO Antimicrobial Resistance; Nov 2021 ) : antivirais, antifúngicos, antiparasitários... Ou seja, medicamentos indispensáveis para combater os (sidenote: Microrganismos Organismos vivos que são pequenos demais para serem vistos a olho nu. Eles incluem as bactérias, os vírus, os fungos, as arqueas, os protozoários, etc... E são comumente chamados de “micróbios” Fonte: What is microbiology? Microbiology Society.
 
)
  (sidenote: Agente patogénico Um agente patogénico é um microrganismo que provoca ou pode provocar uma doença Pirofski LA, Casadevall A. Q and A: What is a pathogen? A question that begs the point. BMC Biol. 2012 Jan 31;10:6. ) - Reduzindo as possibilidades de tratamento das infeções, a antibiorresistência ameaça a saúde de todos2. Numerosas pesquisas procuram compreender a sua expansão para controlá-la melhor ou mesmo pará-la.

Os antibióticos salvam vidas! Sabia que eles também têm impacto na sua microbiota? Sabia que a má utilização e o uso excessivo de antibióticos pode levar à resistência aos antibióticos? Já ouviu falar da Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM (WAAW)? Todas as respostas nesta página: 

Antibióticos: que impacto na microbiota e na saúde?

Saiba mais

Uma antibiorresistência que passa sob os radares

Hoje todos sabemos que a antibiorresistência deve-se, principalmente, à utilização excessiva de antibióticos na medicina humana como também às criações e à agricultura2. Um recente estudo revela-nos, entretanto, um mecanismo de propagação desconhecido: as nossas férias e os nossos deslocamentos profissionais para países exóticos! Na verdade, as viagens internacionais favorecem a propagação de (sidenote: Gene Um gene é a unidade física e funcional básica da hereditariedade. Os genes são constituídos de DNA. Fonte: What is a gene?MedlinePlus.gov. 
 
)
 de resistência aos antimicrobianos no intestino. Pesquisadores reuniram 190 viajantes neerlandeses, distribuídos em 4 subgrupos em função do seu destino. Os locais de permanência foram escolhidos segundo as áreas de forte incidência de antibiorresistência: Sudeste da Ásia, sul da Ásia, norte e leste africano. Estes pesquisadores procuraram determinar se os deslocamentos internacionais para estas regiões poderiam facilitar a sua disseminação para regiões mais poupadas. Desta forma, para avaliar o transporte destes genes a nível intestinal, foi recolhida uma amostra de fezes de cada participante antes e depois da viagem.

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O uso inadequado dos antiblinóticos é responsável pela resistência aos antibióticos. De fato, entre todas as bactérias, apenas uma pequena parte são inicialmente resistentes a antibióticos, mas o uso de antibióticos elimina certas bactérias benéficas, não resistentes aos antibióticos. As bactérias resistentes proliferarão e assumirão, além disso, certas bactérias transmitem sua resistência aos antibióticos a outras bactérias, o que acentua os problemas.

Uma mala diplomática de antibiorresistência ao nível intestinal?

Graças à utilização de uma técnica de ponta (a (sidenote: Metagenómica Método de estudo do conteúdo genéticode amostras de tecido vindos de ambientes complexos (intestino, oceano, solos, ar, etc.) recolhidas na natureza (por oposição às amostras cultivadas em laboratório). Esta abordagem permite uma descrição dos genes contidos numa amostra como também uma visão do potencial funcional de um ambiente. Fonte: Riesenfeld CS, Schloss PD, Handelsman J. Metagenomics: genomic analysis of microbial communities. Annu Rev Genet. 2004;38:525-52. ) ), a equipa constatou um aumento do número de genes de resistência aos antibióticos entre a partida e o regresso, particularmente nos viajantes vindos do sudeste da Ásia. No total, cerca de cinquenta genes de resistência aos antibióticos foram detetados durante a viagem. Entre eles, os genes de resistência aos antibióticos clássicos e bem conhecidos (entre eles a família das β-lactaminas, das tetraciclinas fluoroquinolonas entre outros) como também de novos genes nunca antes identificados.

Viajar: uma questão de saúde pública?

Os resultados deste estudo são claros: os viajantes internacionais colonizados pelos genes de resistência durante as suas viagens poderiam trazer nas suas malas, bactérias resistentes aos antibióticos. Face ao risco de propagação, os autores acionam o alarme e destacam a importância de se iniciarem rapidamente ações nos países particularmente afetados pela antibiorresistência. Uma chamada que ecoa com a campanha da OMS.

O que é a Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM?

Todos os anos, desde 2015, a OMS organiza a Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM (WAAW), que tem como objetivo aumentar a sensibilização para a resistência antimicrobiana mundial.

A resistência antimicrobiana ocorre quando as bactérias, vírus, parasitas e fungos alteram-se com o tempo e já não respondem aos medicamentos. Como resultado da resistência aos medicamentos, os antibióticos e outros medicamentos antimicrobianos tornam-se ineficazes e as infeções tornam-se cada vez mais difíceis ou impossíveis de tratar, aumentando o risco de propagação de doenças, doenças graves e morte.

Realizada entre 18 e 24 de novembro, esta campanha incentiva o público em geral, os profissionais de saúde e os decisores a utilizar cuidadosamente antibióticos, antivirais, antifúngicos e antiparasíticos, de forma a evitar o surgimento futuro de resistência antimicrobiana. 

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6 coisas a saber sobre os antibióticos

1. Os antibióticos salvam vidas 

Desde a descoberta da penicilina em 1928, o uso generalizado de antibióticos permitiu salvar milhões de vidas. Principal arma na luta contra as infeções bacterianas, os antibióticos ajudaram a ganhar quase 20 anos de esperança de vida conjuntamente com as vacinas.1

2. Os antibióticos destroem as espécies responsáveis pela infeções, mas também bactérias boas

Intestinos, vagina, pulmões, pele... Há várias partes do nosso corpo que abrigam (sidenote: Microrganismos Organismos vivos que são demasiado pequenos para serem vistos a olho nu. Incluem as bactérias, os vírus, os fungos, as arqueias, os protozoários, etc., e são vulgarmente designados "micróbios". What is microbiology? Microbiology Society. ) (bactérias, fungos e vírus). São as chamadas microbiotas2. Os antibióticos, embora erradiquem os germes patogénicos responsáveis pela nossa infeção, podem também destruir determinadas bactérias benéficas no seio da nossa microbiota e causar um desequilíbrio mais ou menos importante nesse ecossistema. É aquilo a que se chama uma (sidenote: Disbiose A "disbiose" não é um fenómeno homogéneo – varia em função do estado de saúde de cada indivíduo. É geralmente definida como uma alteração da composição e do funcionamento da microbiota, causada por um conjunto de fatores ambientais e relacionados com o indivíduo que perturbam o ecossistema microbiano. Levy M, Kolodziejczyk AA, Thaiss CA, et al. Dysbiosis and the immune system. Nat Rev Immunol. 2017;17(4):219-232. ) 3. Isto aplica-se a todas as microbiotas do corpo: a microbiota intestinal, mas também a microbiota da pele4, a pulmonar5, a ORL6, a urinária7 e a vaginal8.

O papel ambivalente dos antibióticos

Ao destruírem as bactérias responsáveis pelas infeções, também têm impacto na m…

3. Os antibióticos podem causar efeitos secundários 

Ao induzirem a disbiose, os antibióticos podem gerar impactos negativos para a saúde. A principal complicação a curto prazo é a alteração do trânsito intestinal em alguns pacientes. Na maioria das vezes, isto traduz-se em diarreia, estando a microbiota intestinal menos capaz de cumprir as suas funções protetoras. Essa diarreia associada aos antibióticos é geralmente de intensidade leve a moderada e a sua incidência varia de acordo com a idade, o tipo de antibióticos, o contexto, etc.. Pode afetar até 35%9,10,11 dos pacientes, sendo que, nas crianças, essa percentagem pode atingir 80%.9 Em 10 a 20% dos casos, a diarreia resulta de infeção por Clostridioides difficile (C. difficile)11: esta bactéria coloniza a microbiota intestinal e pode tornar-se patogénica sob a influência de determinados fatores (a toma de antibióticos, por exemplo). As consequências clínicas variam, desde diarreias ligeiras a sintomas muito mais graves ou mesmo morte.11 

 

35% Pode afetar até 35% dos pacientes

80% é até 80% nas crianças

4. Os antibióticos podem causar efeitos a longo prazo quando ocorre muito cedo na vida

A diarreia associada aos antibióticos não é a única manifestação de disbiose associada a antibióticos. Esta será também responsável por efeitos a longo prazo quando ocorre muito cedo na vida. Com efeito, o período perinatal, que se caracteriza pelo desenvolvimento da microbiota intestinal e pela maturação do sistema imunitário, constitui uma altura particularmente sensível : a disbiose induzida pela toma de antibióticos nesta fase parece ser um fator de risco de ocorrência de doenças crónicas (obesidade, diabetes, asma, doenças inflamatórias intestinais crónicas).13 

5. A utilização inadequada de antibióticos é responsável pela resistência aos mesmos

A resistência aos antibióticos consiste no facto de um tratamento por antibióticos deixar de ser eficaz contra uma infeção bacteriana1. A que é que isto se deve? Os antibióticos são eficazes apenas face a bactérias e não produzem efeito nos vírus (por exemplo, no da gripe)14. O seu uso inadequado (no caso de uma infeção viral, por exemplo) ou excessivo - tanto no ser humano como em animais - acelera esse fenómeno. A resistência aos antibióticos implica a estadias mais longas nos hospitais, aumento das despesas de saúde e aumento dos óbitos. É por isso que constitui, à escala global, um importante problema de saúde pública1.

 6. Todos os anos, há uma Semana mundial para promover a utilização adequada dos antibióticos 

Todos os anos, de 18 a 24 de novembro, a OMS organiza a Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM, que visa aumentar a consciencialização para o fenómeno da resistência aos (sidenote: Antimicrobianos Categorias de medicamentos que reúnem os antibióticos (ação contra as bactérias), os antivirais (contra os vírus), os antiparasitários (contra os parasitas) e os antifúngicos (contra os fungos)   WHO Antimicrobial Resistance; Oct 2020 ) e incentivar o público em geral, os profissionais de saúde e os decisores políticos a adotarem as melhores práticas para combaterem o surgimento e a disseminação das resistências. Na qualidade de especialista em microbiota, o Biocodex Microbiota Institute adere a esta iniciativa.

O que é a Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM?

Todos os anos, desde 2015, a OMS organiza a Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM (WAAW), que tem como objetivo aumentar a sensibilização para a resistência aos antimicrobianos a nível global.

Realizada entre 18 e 24 de novembro, esta campanha incentiva o público em geral, os profissionais de saúde e os decisores a utilizarem cuidadosamente os antimicrobianos, a fim de evitar o surgimento de uma maior resistência aos antimicrobianos. 

Fontes

1. WHO Antimicrobial Resistance; Oct 2020; https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/antimicrobial-resistance 

2. Kho ZY, Lal SK. The Human Gut Microbiome - A Potential Controller of Wellness and Disease. Front Microbiol. 2018 Aug 14;9:1835. 

3. Levy M, Kolodziejczyk AA, Thaiss CA, et al. Dysbiosis and the immune system. Nat Rev Immunol. 2017;17(4):219-232. 

4. Park SY, Kim HS, Lee SH, et al. Characterization and Analysis of the Skin Microbiota in Acne: Impact of Systemic Antibiotics. J Clin Med. 2020;9(1):168. 

5. Chung KF. Airway microbial dysbiosis in asthmatic patients: A target for prevention and treatment? J Allergy Clin Immunol. 2017;139(4):1071- 1081. 

6. Teo SM, Mok D, Pham K, et al. The infant nasopharyngeal microbiome impacts severity of lower respiratory infection and risk of asthma development. Cell Host Microbe. 2015;17(5):704-715. 

7. Klein RD, Hultgren SJ. Urinary tract infections: microbial pathogenesis, host-pathogen interactions and new treatment strategies. Nat Rev Microbiol. 2020;18(4):211-226. 

8. Shukla A, Sobel JD. Vulvovaginitis Caused by Candida Species Following Antibiotic Exposure. Curr Infect Dis Rep. 2019 Nov 9;21(11):44. 

9. McFarland LV, Ozen M, Dinleyici EC et al. Comparison of pediatric and adult antibiotic-associated diarrhea and Clostridium difficile infections. World J Gastroenterol. 2016;22(11):3078-3104. 

10. Bartlett JG. Clinical practice. Antibiotic-associated diarrhea. N Engl J Med2002;346:334-9.

11. Theriot CM, Young VB. Interactions Between the Gastrointestinal Microbiome and Clostridium difficile.Annu Rev Microbiol. 2015;69:445-461.  

12. Aires J. First 1000 Days of Life: Consequences of Antibiotics on Gut Microbiota. Front Microbiol. 2021 May 19; 

13. Queen J, Zhang J, Sears CL. Oral antibiotic use and chronic disease: long-term health impact beyond antimicrobial resistance and Clostridioides difficile. Gut Microbes. 2020;11(4):1092-1103

14. Centers for Disease Control and Prevention; Patient Education and Promotional Resources https://www.cdc.gov/antibiotic-use/community/pdfs/aaw/au_improving-antibiotics-infographic_8_5x11_508.pdf 

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Noticias Gastroenterologia Pediatria

6 coisas essenciais sobre os antibióticos

Por um lado, eles são um pilar do nosso arsenal terapêutico e salvam milhões de vidas todos os anos. Por outro lado, eles perturbam a microbiota e podem ter pesadas consequências na nossa saúde. Revisão dos 6 pontos essenciais a utilizar com bom senso.

1. Os antibióticos salvam vidas 

Desde a descoberta da penicilina em 1928, o uso generalizado de antibióticos permitiu salvar milhões de vidas. Principal arma na luta contra as infeções bacterianas, os antibióticos ajudaram a ganhar quase 20 anos de esperança de vida conjuntamente com as vacinas.1

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Antibióticos PT

2. Os antibióticos destroem as espécies responsáveis pela infeções, mas também bactérias boas

Intestinos, vagina, pulmões, pele... Há várias partes do nosso corpo que abrigam (sidenote: Microrganismos Organismos vivos que são demasiado pequenos para serem vistos a olho nu. Incluem as bactérias, os vírus, os fungos, as arqueias, os protozoários, etc., e são vulgarmente designados "micróbios". What is microbiology? Microbiology Society. ) (bactérias, fungos e vírus). São as chamadas microbiotas2. Os antibióticos, embora erradiquem os germes patogénicos responsáveis pela nossa infeção, podem também destruir determinadas bactérias benéficas no seio da nossa microbiota e causar um desequilíbrio mais ou menos importante nesse ecossistema. É aquilo a que se chama uma (sidenote: Disbiose A "disbiose" não é um fenómeno homogéneo – varia em função do estado de saúde de cada indivíduo. É geralmente definida como uma alteração da composição e do funcionamento da microbiota, causada por um conjunto de fatores ambientais e relacionados com o indivíduo que perturbam o ecossistema microbiano. Levy M, Kolodziejczyk AA, Thaiss CA, et al. Dysbiosis and the immune system. Nat Rev Immunol. 2017;17(4):219-232. ) .

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Antibióticos são bem conhecidos por destruir patógenos, mas poucos sabem que eles também podem eliminar certas bactérias benéficas, chamadas comensais de nossa microbiota

Isto aplica-se a todas as microbiotas do corpo:

3. Os antibióticos podem causar efeitos secundários 

Ao induzirem a disbiose, os antibióticos podem gerar impactos negativos para a saúde. A principal complicação a curto prazo é a alteração do trânsito intestinal em alguns pacientes. Na maioria das vezes, isto traduz-se em diarreia, estando a microbiota intestinal menos capaz de cumprir as suas funções protetoras. Essa diarreia associada aos antibióticos é geralmente de intensidade leve a moderada e a sua incidência varia de acordo com a idade, o tipo de antibióticos, o contexto, etc.. Pode afetar até 35%9,10,11 dos pacientes, sendo que, nas crianças, essa percentagem pode atingir 80%.9 Em 10 a 20% dos casos, a diarreia resulta de infeção por Clostridioides difficile (C. difficile)11: esta bactéria coloniza a microbiota intestinal e pode tornar-se patogénica sob a influência de determinados fatores (a toma de antibióticos, por exemplo). As consequências clínicas variam, desde diarreias ligeiras a sintomas muito mais graves ou mesmo morte.11 

35% A diarreia associada a antibióticos pode afetar até 35% dos pacientes

80% e até 80% se os pacientes forem crianças

4. Os antibióticos podem causar efeitos a longo prazo quando ocorre muito cedo na vida

A diarreia associada aos antibióticos não é a única manifestação de disbiose associada a antibióticos. Esta será também responsável por efeitos a longo prazo quando ocorre muito cedo na vida. Com efeito, o período perinatal, que se caracteriza pelo desenvolvimento da microbiota intestinal e pela maturação do sistema imunitário, constitui uma altura particularmente sensível : a disbiose induzida pela toma de antibióticos nesta fase parece ser um fator de risco de ocorrência de doenças crónicas (obesidade, diabetes, asma, doenças inflamatórias intestinais crónicas).13 

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A antibioticoterapia está associada a um aumento na suscetibilidade a várias doenças crônicas, como obesidade, diabetes, síndrome do intestino irritável, câncer colorretal, asma ou dermatite atópica. Durante os 2 anos após o nascimento, é ainda mais perigoso usar antibióticos, pois é o período de desenvolvimento de nosso sistema intestinal e imunológico.

5. A utilização inadequada de antibióticos é responsável pela resistência aos mesmos

A resistência aos antibióticos consiste no facto de um tratamento por antibióticos deixar de ser eficaz contra uma infeção bacteriana1. A que é que isto se deve? Os antibióticos são eficazes apenas face a bactérias e não produzem efeito nos vírus (por exemplo, no da gripe)14. O seu uso inadequado (no caso de uma infeção viral, por exemplo) ou excessivo - tanto no ser humano como em animais - acelera esse fenómeno. A resistência aos antibióticos implica a estadias mais longas nos hospitais, aumento das despesas de saúde e aumento dos óbitos. É por isso que constitui, à escala global, um importante problema de saúde pública1.

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O uso inadequado dos antiblinóticos é responsável pela resistência aos antibióticos. De fato, entre todas as bactérias, apenas uma pequena parte são inicialmente resistentes a antibióticos, mas o uso de antibióticos elimina certas bactérias benéficas, não resistentes aos antibióticos. As bactérias resistentes proliferarão e assumirão, além disso, certas bactérias transmitem sua resistência aos antibióticos a outras bactérias, o que acentua os problemas.

 6. Todos os anos, há uma Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM

Todos os anos, de 18 a 24 de novembro, a OMS organiza a Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM, que visa aumentar a consciencialização para o fenómeno da resistência aos (sidenote: Antimicrobianos Categorias de medicamentos que reúnem os antibióticos (ação contra as bactérias), os antivirais (contra os vírus), os antiparasitários (contra os parasitas) e os antifúngicos (contra os fungos)   WHO Antimicrobial Resistance; Oct 2020 ) e incentivar o público em geral, os profissionais de saúde e os decisores políticos a adotarem as melhores práticas para combaterem o surgimento e a disseminação das resistências. Na qualidade de especialista em microbiota, o Biocodex Microbiota Institute adere a esta iniciativa.

Se estiver interessado nos efeitos dos antibióticos na sua saúde e na sua microbiota, ou se quiser saber mais sobre a Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM (WAAW), recomendamos-lhe que vá a esta outra página:

Antibióticos: que impacto na microbiota e na saúde?

Saiba mais
O que é a Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM?

Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM (WAAW), que tem como objetivo aumentar a sensibilização para a resistência antimicrobiana mundial. 

A resistência antimicrobiana ocorre quando as bactérias, vírus, parasitas e fungos alteram-se com o tempo e já não respondem aos medicamentos. Como resultado da resistência aos medicamentos, os antibióticos e outros medicamentos antimicrobianos tornam-se ineficazes e as infeções tornam-se cada vez mais difíceis ou impossíveis de tratar, aumentando o risco de propagação de doenças, doenças graves e morte.
Realizada entre 18 e 24 de novembro, esta campanha incentiva o público em geral, os profissionais de saúde e os decisores a utilizar cuidadosamente antibióticos, antivirais, antifúngicos e antiparasíticos, de forma a evitar o surgimento futuro de resistência antimicrobiana. 

Fontes

1. WHO Antimicrobial Resistance; Oct 2020; https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/antimicrobial-resistance 

2. Kho ZY, Lal SK. The Human Gut Microbiome - A Potential Controller of Wellness and Disease. Front Microbiol. 2018 Aug 14;9:1835. 

3. Levy M, Kolodziejczyk AA, Thaiss CA, et al. Dysbiosis and the immune system. Nat Rev Immunol. 2017;17(4):219-232. 

4. Park SY, Kim HS, Lee SH, et al. Characterization and Analysis of the Skin Microbiota in Acne: Impact of Systemic Antibiotics. J Clin Med. 2020;9(1):168. 

5. Chung KF. Airway microbial dysbiosis in asthmatic patients: A target for prevention and treatment? J Allergy Clin Immunol. 2017;139(4):1071- 1081. 

6. Teo SM, Mok D, Pham K, et al. The infant nasopharyngeal microbiome impacts severity of lower respiratory infection and risk of asthma development. Cell Host Microbe. 2015;17(5):704-715. 

7. Klein RD, Hultgren SJ. Urinary tract infections: microbial pathogenesis, host-pathogen interactions and new treatment strategies. Nat Rev Microbiol. 2020;18(4):211-226. 

8. Shukla A, Sobel JD. Vulvovaginitis Caused by Candida Species Following Antibiotic Exposure. Curr Infect Dis Rep. 2019 Nov 9;21(11):44. 

9. McFarland LV, Ozen M, Dinleyici EC et al.Comparison of pediatric and adult antibiotic-associated diarrhea and Clostridium difficile infections. World J Gastroenterol. 2016;22(11):3078-3104. 

10. Bartlett JG. Clinical practice. Antibiotic-associated diarrhea. N Engl J Med 2002;346:334-9.

11. Theriot CM, Young VB. Interactions Between the Gastrointestinal Microbiome and Clostridium difficile.Annu Rev Microbiol. 2015;69:445-461.  

12. Aires J. First 1000 Days of Life: Consequences of Antibiotics on Gut Microbiota. Front Microbiol. 2021 May 19; 

13. Queen J, Zhang J, Sears CL. Oral antibiotic use and chronic disease: long-term health impact beyond antimicrobial resistance and Clostridioides difficile. Gut Microbes. 2020;11(4):1092-1103

14. Centers for Disease Control and Prevention; Patient Education and Promotional Resources https://www.cdc.gov/antibiotic-use/community/pdfs/aaw/au_improving-antibiotics-infographic_8_5x11_508.pdf 

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Resistência aos antibióticos: uma ameaça mundial, uma resposta global

No futuro, a resistência aos antibióticos pode comprometer um século de progresso médico.1 É uma verdadeira bomba-relógio sanitária, estando, desde 2015, na mira da OMS, que organiza todos os anos a Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM (18–24 de novembro). O Microbiota Institute participa ativamente nesta iniciativa durante todo o mês de novembro com a difusão e partilha de conteúdos exclusivos sobre o impacto dos antimicrobianos na microbiota intestinal. Visão geral. 

Por um lado, surge uma descoberta científica extraordinária que permite salvar milhões de vidas. Por outro lado, observa-se uma utilização excessiva e, por vezes, inadequada que pode fazer com que surjam muitas resistências nos micro-organismos (por exemplo, nas bactérias, nos vírus, nos parasitas e nos fungos). Isto faz com que os antimicrobianos, que foram concebidos para curar, sejam cada vez menos eficazes e com que haja o risco de estes deixarem de conseguir curar-nos de infeções, no futuro, se não se fizer nada para o evitar.  

10 milhões A resistência antimicrobiana tornar-se-ia responsável por quase 10 milhões de mortes em todo o mundo até 2050

A resistência aos antimicrobianos será, desta forma, responsável por cerca de 700 000 mortes a nível mundial todos os anos.2  Se nada mudar, as doenças infeciosas poderão tornar-se, em 2050, uma das principais causas de mortalidade no mundo, provocando até 10 milhões de mortes.2

Perante este flagelo, a OMS organiza a resposta mundial. Desde 2015, entre os dias 18 e 24 de novembro, a OMS organiza a Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM, com o objetivo de dar a conhecer melhor este fenómeno mundial e incentivar o público em geral, os profissionais de saúde e os decisores a utilizarem razoavelmente os antibióticos para evitar que a resistência aos antibióticos ganhe terreno. 

O Microbiota Institute, verdadeiro ponto de confluência de conhecimentos dedicado à microbiota, é um parceiro ativo do evento deste 2020. Ao longo de todo o mês de novembro, este instituto convida-o a aprofundar os seus conhecimentos e a descobrir as consequências a médio e longo prazo dos antibióticos para a microbiota humana através de artigos, notícias, vídeos de especialistas e dossiês temáticos. Eis um exemplo. Apesar da eficácia reconhecida dos antibióticos contra as bactérias (são inúteis em caso de infeção viral)3, muitas vezes estes medicamentos dão origem a uma disbiose. Esta condição está associada a alguns problemas bem conhecidos, tais como a diarreia associada a antibióticos.

Pedra angular do moderno arsenal terapêutico, os antibióticos salvaram milhões de vidas. Por outro lado, a sua utilização excessiva e por vezes inadequada pode levar ao aparecimento de múltiplas formas de resistência dos microrganismos. Todos os anos, a Organização Mundial de Saúde (OMS) organiza a Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM (WAAW) para aumentar a sensibilização para este problema de saúde pública. Leia a página dedicada.

Resistência aos antibióticos: a microbiota em primeiro plano

O uso maciço e por vezes inadequado de antibióticos torna-os cada vez mais inef…

Mas ainda há mais! Também se suspeita de que a toma de antibióticos aumenta o risco de desenvolvimento de muitas doenças crónicas4 (alergias, asma, obesidade, doenças inflamatórias crónicas do intestino, etc.), principalmente se os antibióticos forem prescritos numa fase precoce durante a infância. É possível resolver esta situação? Sim! Para tal, é preciso promover a prescrição adequada para garantir a boa utilização dos antibióticos, bem como informar o paciente sobre os riscos de disbiose associados à utilização excessiva e inadequada de antibióticos. Todos temos de ser responsáveis e de nos mobilizar para reduzir a resistência aos antimicrobianos! 

Apresentamos-lhe o Professor Sørensen, galardoado com a bolsa Internacional 2022 da Biocodex Microbiota Foundation.

A sua equipa foi pioneira num estudo ambicioso sobre o resistoma de 700 crianças que permitirá um avanço na compreensão da evolução e disseminação da resistência antimicrobiana no intestino humano dos primeiros anos de vida.

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Resistência aos antibióticos: uma ameaça mundial, uma resposta internacional

No futuro, a resistência aos antibióticos pode comprometer um século de progresso médico.1 É uma verdadeira bomba-relógio sanitária, estando, desde 2015, na mira da OMS, que organiza todos os anos a Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM (18–24 de novembro). O Microbiota Institute participa ativamente nesta iniciativa durante todo o mês de novembro com a difusão e partilha de conteúdos exclusivos sobre o impacto dos antimicrobianos na microbiota intestinal. Visão geral.  

Por um lado, surge uma descoberta científica extraordinária que permite salvar milhões de vidas. Por outro lado, observa-se uma utilização excessiva e, por vezes, inadequada que pode fazer com que surjam muitas resistências nos micro-organismos (por exemplo, nas bactérias, nos vírus, nos parasitas e nos fungos). Isto faz com que os antimicrobianos, que foram concebidos para curar, sejam cada vez menos eficazes e com que haja o risco de estes deixarem de conseguir curar-nos de infeções, no futuro, se não se fizer nada para o evitar. 

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Antibióticos são bem conhecidos por destruir patógenos, mas poucos sabem que eles também podem eliminar certas bactérias benéficas, chamadas comensais de nossa microbiota

A resistência aos antimicrobianos será, desta forma, responsável por cerca de 700 000 mortes a nível mundial todos os anos.2  Se nada mudar, as doenças infeciosas poderão tornar-se, em 2050, uma das principais causas de mortalidade no mundo, provocando até 10 milhões de mortes.2

10 milhões A resistência antimicrobiana se tornaria responsável por quase 10 milhões de mortes em todo o mundo até 2050

Perante este flagelo, a OMS organiza a resposta mundial. Desde 2015, entre os dias 18 e 24 de novembro, a OMS organiza a Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM, com o objetivo de dar a conhecer melhor este fenómeno mundial e incentivar o público em geral, os profissionais de saúde e os decisores a utilizarem razoavelmente os antibióticos para evitar que a resistência aos antibióticos ganhe terreno. 

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O uso inadequado dos antiblinóticos é responsável pela resistência aos antibióticos. De fato, entre todas as bactérias, apenas uma pequena parte são inicialmente resistentes a antibióticos, mas o uso de antibióticos elimina certas bactérias benéficas, não resistentes aos antibióticos. As bactérias resistentes proliferarão e assumirão, além disso, certas bactérias transmitem sua resistência aos antibióticos a outras bactérias, o que acentua os problemas.

O Microbiota Institute, verdadeiro ponto de confluência de conhecimentos dedicado à microbiota, é um parceiro ativo do evento deste 2020. Ao longo de todo o mês de novembro, este instituto convida-o a descobrir as consequências a médio e longo prazo dos antibióticos para a microbiota humana através de artigos, notícias e vídeos de especialistas. Eis um exemplo. Vejamos o exemplo dos antibióticos. Apesar da eficácia reconhecida dos antibióticos contra as bactérias (são inúteis em caso de infeção viral)3, estes medicamentos afetam negativamente o equilíbrio da nossa microbiota intestinal. Este desequilíbrio, mais conhecido como (sidenote: Disbiose A "disbiose" não é um fenómeno homogéneo – varia em função do estado de saúde de cada indivíduo. É geralmente definida como uma alteração da composição e do funcionamento da microbiota, causada por um conjunto de fatores ambientais e relacionados com o indivíduo que perturbam o ecossistema microbiano. Levy M, Kolodziejczyk AA, Thaiss CA, et al. Dysbiosis and the immune system. Nat Rev Immunol. 2017;17(4):219-232. ) , está associado a alguns problemas bem conhecidos, tais como a diarreia associada a antibióticos. Mas ainda há mais! Também se suspeita de que a toma de antibióticos aumenta o risco de desenvolvimento de muitas doenças crónicas (alergias, asma, obesidade, doenças inflamatórias crónicas do intestino, etc.), principalmente se os antibióticos forem prescritos numa fase precoce durante a infância.

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A antibioticoterapia está associada a um aumento na suscetibilidade a várias doenças crônicas, como obesidade, diabetes, síndrome do intestino irritável, câncer colorretal, asma ou dermatite atópica. Durante os 2 anos após o nascimento, é ainda mais perigoso usar antibióticos, pois é o período de desenvolvimento de nosso sistema intestinal e imunológico.

É possível resolver esta situação? Sim! Em primeiro lugar, é preciso privilegiar a utilização certa e adequada. Não tome estes medicamentos se não tiverem sido prescritos por um profissional de saúde. Respeite a dose, a posologia e a duração do tratamento e não os partilhe com outra pessoa.4

Além disso, lembre-se de que os antibióticos não são automáticos!

Se estiver interessado nos efeitos dos antibióticos na sua saúde e na sua microbiota, ou se quiser saber mais sobre a Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM (WAAW), recomendamos-lhe que vá a esta outra página:

Antibióticos: que impacto na microbiota e na saúde?

Saiba mais
O que é a Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM?

Todos os anos, desde 2015, a OMS organiza a Semana Mundial de Conscientização sobre a RAM (WAAW), que tem como objetivo aumentar a sensibilização para a resistência antimicrobiana mundial. 

A resistência antimicrobiana ocorre quando as bactérias, vírus, parasitas e fungos alteram-se com o tempo e já não respondem aos medicamentos. Como resultado da resistência aos medicamentos, os antibióticos e outros medicamentos antimicrobianos tornam-se ineficazes e as infeções tornam-se cada vez mais difíceis ou impossíveis de tratar, aumentando o risco de propagação de doenças, doenças graves e morte.

Realizada entre 18 e 24 de novembro, esta campanha incentiva o público em geral, os profissionais de saúde e os decisores a utilizar cuidadosamente antibióticos, antivirais, antifúngicos e antiparasíticos, de forma a evitar o surgimento futuro de resistência antimicrobiana. 

Fontes

1. No Time to Wait: Securing the future from drug-resistant infections. Report to the secretary-general of the united nations. Avril 2019. 

2. Tackling drug-resistant infections globally: final report and recommendations; May 2016. 

3. Improving Antibiotic Use. Material Developed by CDC Using CDC materials does not imply endorsement or recommendation by CDC, ATSDR, HHS or the United States Government

4. Taking your Antibiotics. Material Developed by CDC  Using CDC materials does not imply endorsement or recommendation by CDC, ATSDR, HHS or the United States Government 

Recomendado pela nossa comunidade

"Obrigado por compartilhar!" -Gigi Snook (Da My health, my microbiota)

"Legal 👍🏾" -Lucy Ofreneo (Da My health, my microbiota)

"Interessante!"Rémi Fresnel (Da Biocodex Microbiota Institute em LinkedIn)

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